Política

Bolsonaro quer acabar com demarcações indígenas e diz que é "muita terra para pouco índio"

Em nova declaração, Jair Bolsonaro (PSL) novamente expõe a olhos vistos todo seu obscurantismo e cinismo com relação ao importante tema nacional sobre autodeterminação dos povos indígenas e suas terras e se coloca ao lado da sanha predatória dos empresários agronegócio.

sábado 31 de agosto| Edição do dia

Em declaração aos jornalistas nesse sexta-feira (30), Bolsonaro disse: “Há muita terra pra pouco índio. A minha decisão é não demarcar mais terras para índios”, como noticia o Portal Online InfoMoney. Conforme o portal, ele ainda diz “suspeitar de fraudes nas demarcações e de venda direta de terras pelos índios a estrangeiros.

Não é primeira vez (e nem será a última, infelizmente), que ouvimos declarações de presidente eleito em eleições manipuladas pelo autoritarismo de toga recheadas de obscurantismo e acusatória com relação aos povos indígenas que constituem, “em si mesmos” com seu modo de vida e suas tradições, um patrimônio cultural nacional. Com dois pesos e duas medidas, não vemos a mesma verborragia para criticar os nefastos efeitos do agronegócio ao meio ambiente, como vimos dias atrás com o caso dos incêndios na Amazônia e da fumaça que cobriu diversas cidades do país. Ao contrário, são mais ironias e mentiras absurdas de Bolsonaro que vimos diante do fogo, vimos em suas declarações diante da morte de uma liderança indígena em local de conflito com garimpos; vimos diante do crescente número de barragens sob risco de colapso, quando chama os movimentos por terra e moradia de “organizações terroristas", e desejando liberar o porte de arma no campo para aumentar ainda mais o assassinato de lideranças do movimento por terras, vemos em cada mega-obra para satisfazer a mineração predatória, como no coração da Amazônia, em Carajás e todo seu arco.

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Bolsonaro toma o lado dos empresários e do agronegócio e se coloca contrário e todo conhecimento de disciplinas como Antropologia, que defendem esses povos. Nós tomamos dos povos indígenas, quilombolas, populações tradicionais e da fauna e flora nativas, cuja preservação está, inclusive, prevista na Constituição de 88, mesmo com todos os limites que podemos assinalar desta. As terras indígenas são protegidas por lei, são de responsabilidade dos índios, portanto não podem ser vendidas nem exploradas e constituem 13,8% do território brasileiro com mais de 800 mil indígenas vivendo nelas.

Para o presidente, os indígenas deveriam se “integrar” a sociedade e não viver isolados em suas tribos. O que Bolsonaro propõe, em realidade, é a extinção dos povos indígenas, numa continuação do projeto colonialista que matou milhares de índios, agora em sua versão nacional. A decisão de incluir-se ou não na vida social “comum” do país e abandonarem suas aldeias cabe única e exclusivamente aos próprios indígenas. Somente um estado controlado pelos trabalhadores aliado as massas oprimidas que pode fornecer as condições para preservar as terras demarcadas e para autodeterminação desses povos.




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