Internacional

DAVOS: FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Bolsonaro promete educação voltada ao mercado no Fórum Econômico Mundial

Bolsonaro fez hoje seu primeiro pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Entre a promessa de aprovação das reformas, privatizações, o afastamento de ‘ideologias’ e exaltações da família e de Deus, colocou como prioridade para a Educação a sua adequação para formar para o mercado de trabalho e atender às necessidades da 4ª Revolução Industrial.

terça-feira 22 de janeiro| Edição do dia

Bolsonaro está com Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo em Davos, na Suíça, para participar da edição anual do Fórum Econômico Mundial, onde o Banco Mundial, o FMI e investidores e representantes burgueses de todo o mundo se reúnem. Em meio ao 10º ano da crise econômica mundial, a prioridade segue sendo aplicar ataques e reformas para garantir que a crise seja paga pela classe trabalhadora, as mulheres e a juventude. E frente à Recessão que se anuncia, a prioridade é garantir que o Brasil sirva ao imperialismo integralmente, por isso as inúmeras promessas quanto a aprovação da Reforma da Previdência e as privatizações.

Em seu rápido discurso e sessão de perguntas e respostas, Bolsonaro evidenciou seu plano neoliberal que em nome do combate à corrupção, a prioridade de Deus e da família, oferece o Brasil ao capital internacional por completo, prometendo inclusive reforços na segurança para que seja destino turístico dos que o escutavam, repetiu mais de uma vez quão honrado se sentia por estar discursando no FEM, assim como disponibilizou as terras brasileiras aos investidores presentes.

As promessas e planos de Bolsonaro e sua equipe são repetidos socos nos estômagos de todos os jovens brasileiros, a perspectiva de um trabalho com carteira assinada e os direitos mínimos que a CLT garantia, já foi deixada para trás com o golpe institucional e a aprovação da Reforma Trabalhista ainda por Temer, assim como a qualidade dos serviços de saúde e educação, com investimento congelados pelo mesmo por 20 anos, assim como a Reforma do Ensino Médio.

Bolsonaro afirmou em seu discurso que quer adaptar a educação para servir integralmente ao mercado e melhor atender às necessidades da 4ª Revolução Industrial, atendendo aos novos padrões de produção em escala mundial. Com isso demonstra que pretende precarizar as condições de trabalho, atacando ainda mais direitos Quando coloca esta meta como prioridade para a Educação, escancara seu objetivo com os ataques já anunciados contra o ensino e a produção de conhecimento, como a educação à distância desde os níveis básicos, ou o requisito ideológico para concessão de bolsas de pesquisa, assim como a perseguição a professores e ativistas do movimento estudantil. As estruturas de poder universitárias já extremamente anti-democráticas, onde usualmente 70% do poder de decisão está na mão de professores junto a empresas, 15% nas mãos dos trabalhadores e 15% nas mãos dos estudantes, deve se agravar ainda mais, com Bolsonaro escolhendo a dedo seus Reitores. A juventude deve ser ordeira e se bastar com uma formação que a leve a ainda mais precárias posições no mercado de trabalho, cumprindo este papel até a sua morte.

É necessário para Bolsonaro e seus mandantes cortar todo e qualquer pensamento crítico da juventude e colocá-la em uma sinuca de bico onde não reste mais caminho que obedecer e garantir lucros cada vez mais exorbitantes para o imperialismo e que contrastam tragicamente com as condições de vida cada vez mais terríveis. Porque foi justamente a juventude que tomou as ruas em 2013 e questionou o contraste entre suas aspirações e a péssima situação dos serviços públicos já durante os governos do PT, e abriu espaço para a classe trabalhadora que mostrou força em 2014 com o Maio de greves. Enquanto as Centrais Sindicais e Entidades Estudantis se esforçavam para isolar cada uma destas lutas e impedir que se coordenassem as mais de 70 ocupações em universidades contra o golpe institucional de 2016, a direita buscou capitalizar o questionamento que se abriu em 2013 pela direita, com mecanismos diretamente imperialistas como a Lava Jato, Moro treinado na CIA e as eleições mais manipuladas da história recente para conseguir eleger Bolsonaro. Ainda assim, as centenas de memes produzidas todos os dias e a mobilização que tomou conta das universidades antes do 2º turno demonstram a politização e o desprezo da juventude pelos planos bolsonaristas. É necessário organizar esta energia para que possa dar vazão a um movimento estudantil à altura do massacre que Bolsonaro quer promover. A juventude pode ser a força que incendeie a classe trabalhadora para defender a educação e barrar a Reforma da Previdência.

Uma educação completamente voltada ao mercado é justamente o que prevêem o Banco Mundial e o FMI, dois dos mais importantes atores do Fórum Econômico Mundial. Na Argentina, o FMI leva a frente junto a Macri um plano de destruição da educação pública, com fechamento de escolas noturnas, universidades voltadas às licenciaturas, ao passo que coloca os jovens para serem motoboys em bicicletas, deixados à própria sorte e correndo riscos todos os dias. É isso que Bolsonaro quer garantir para nós no Brasil. Por isso, é urgente que as Centrais Sindicais e Entidades Estudantis rompam com sua trégua e utilizem cada um dos espaços existentes para levantar um plano de luta que seja construído nas bases de cada escola e universidade. A luta da juventude não pode ficar restrita à espera do fim do governo de Bolsonaro, nossos pescoços estão na reta agora.




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