Política

ELEIÇÕES 2018

Bolsonaro omite e distorce detalhes dos gastos de campanha

Apuração da Folha de São Paulo descobriu um padrão de declarações genéricas e muito abaixo do valor estimado para gastos de campanha do primeiro turno pela campanha.

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO

Uma investigação feita pelo jornal Folha de São Paulo, e publicada nesta quarta-feira (24) mostrou que a campanha de Bolsonaro ainda não enviou ao TSE descrição discriminada dos gastos de sua campanha com o primeiro turno.

A declaração dos gastos de campanha feitos até 8 de setembro, prevista por lei, foi enviada pela campanha do PSL com despesas muito abaixo do custo esperado de suas atividades de campanha, além de que os gastos não estão discriminados, e muitos itens, como gasolina, alimentação, etc, simplesmente não são mencionados. Os gastos de campanha do reacionário ex capitão teriam uma queda esperada a partir do dia 06/09 quando sofreu um atentado a faca, a maior parte de sua campanha (viagens, caravanas, discursos em associações, etc), portanto, foi feita antes. Contudo, além de não ter, até o momento, provido uma descrição detalhada de com o que gastou, a campanha também aparece disparado com o menor gasto, apesar de eventos de grande proporção. A Folha também apurou que não são declarados gastos com compra de materiais para dois comitês de campanha de Bolsonaro, cedido pelo PSL.

Até o dia em que sofreu o ataque, as contas de campanha totalizavam 27 itens de gasto, somando R$ 843 mil. Para efeito de comparação, João Amoedo, segundo menor em gastos (somente à frente do próprio Bolsonaro) que tinha tempo similar de televisão e igualmente promovendo comícios e viajando pelo país, havia declarado até 06/09 200 itens de gasto, para um total de quase R$ 2 milhões, incluindo alimentos, papel higiênico, lâmpadas, plástico bolha, etc.

Questionadas, nem a campanha de Bolsonaro, nem a empresa de turismo Pontestur para a qual a chapa teria feito um gasto não discriminado de R$ 285 mil se manifestaram.

Bolsonaro alega ter “apoio voluntário”, especialmente para sua campanha online. Sabe-se que isso não era verdade, com o recente estouro do escândalo de caixa 2 de Bolsonaro em que a campanha recebeu milhões em doações via caixa 2 de empresários favoráveis à agenda reacionária e anti operária do candidato por meio da compra de serviços de envio em massa de mensagens pela internet para difundir fake news contra seu adversário, Fernando Haddad. Igualmente, Bolsonaro não declara, em sua prestação de contas, inúmeras pessoas que trabalham para sua campanha, nem como supostos “voluntários”, como a esposa do presidente do PSL, Renata Bebbiano, que coordena a agenda da campanha e é sua interlocutora com a imprensa, além de um importante advogado da campanha, Tiago Ayres. A legislação eleitoral ( art 61 da resolução 23.553/2018 do TSE) determina que seja informado qualquer trabalho feito na campanha, remunerado ou não, na prestação de contas para divulgação pelo TSE.

Detalhes como este são frestas para ver como a campanha do suposto “outsider” Bolsonaro, com suas quase três décadas de deputado (nas quais ele e sua família multiplicaram seu patrimônio enormemente) na verdade se trata de uma grande fraude, construída por grupos empresariais e junto da reacionária e entreguista alta cúpula das forças armadas para impor ao Brasil um agravamento à direita do regime de 88, e a consolidação da agenda de ataques do golpe. Bolsonaro, apoiado amplamente pelos setores mais escravistas e anti operários da burguesia brasileira e imperialista, é uma farsa muito bem paga, travestida de anti sistema para entrar no poder como uma piora de Temer, nas eleições mais manipuladas e cerceadas da história recente, com flagrante interferência do poder judiciário e da mídia em favor do ex capitão e seu vice general, e tutela aberta das forças armadas. Suas fraudes visando esconder o apoio de poderosos por trás de sua campanha são só um exemplo disso.




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