Política

CRIME ORGANIZADO

Bolsonaro, o defensor das milícias que declara "guerra ao crime organizado"

terça-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Em cerimônia na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira, 4 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em mensagem ao Congresso Nacional que o governo brasileiro declara "guerra" ao crime organizado.

A mensagem foi entregue pelo ministro Onyx Lorenzoni e foi lida pela primeira-secretária do Congresso, deputada Soraya Santos (PR-RJ), na sessão de abertura do ano letivo.

No mesmo dia, mais cedo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, havia apresentado um pacote anticorrupção e antiviolência, que entre outros absurdos propostos, quer relativizar o entendimento de "legítima defesa", propiciando a polícia licença para matar.

Veja mais: Autoritarismo de Moro dá licença para matar a policiais

Ainda no mesmo discurso enviado pelo presidente à câmara, ele afirma que a criminalidades "bateu recordes" em razão do "enfraquecimento " das forças de segurança e de leis " demasiadamente permissivas". Segundo a lógica de Jair Bolsonaro, as leis tem que ser mais duras para criminosos, mas em nenhum momento do discurso ele cita o fato do filho, Flávio Bolsonaro, ter envolvimento com milícias, representante do crime organizado, e que inclusive são investigadas pelo assassinato de Marielle Franco.

O caso Mariele Franco, ganhou repercussões internacionais por ser um crime cometido contra uma parlamentar que denunciava a atuação das milícias nas favelas do Rio de Janeiro. Recentemente vazou informações que o senador Flávio Bolsonaro, empregava parentes dos milicianos que são investigados por esse crime.

O discurso enfático de Bolsonaro contra o crime organizado passa ao largo das milícias reivindicadas e defendidas por ele. A ligação de membros de milícias com Flávio Bolsonaro, e o restante do clã, expõe a proximidade entre o crime organizado e a política. Por isso é demagógico o discurso de Bolsonaro em relação à segurança. Enquanto esbraveja contra o crime organizado, na prática Bolsonaro e seu ministro favorece o extermínio da população negra e pobre nas periferias, aumentando a repressão estatal.




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