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Bolsonaro nomeia pastor conservador para reitor da UFFS, mesmo tendo ficado em 3º lugar

Novo reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), se declara cristão e conservador e, mesmo classificado em terceiro na lista tríplice, foi nomeado reitor por Bolsonaro. Já publicada em diário oficial, a posse acontecerá na quarta-feira, em Brasília, no Ministério da Educação.

domingo 1º de setembro| Edição do dia

Na última sexta-feira (30), foi nomeado o professor Marcelo Recktenvald como novo reitor da UFFS. Autodeclarado cristão, conservador, defensor da família e pastor batista, o novo reitor, que assume devido ao alinhamento ideológico do novo governo Bolsonaro, é anti esquerda e já reproduziu postagens de Olavo de Carvalho (guru do presidente) onde diz que “O Weintraub está para os seus antecessores como um antibiótico está para as bactérias”. E já compartilhou até mesmo postagens negacionistas climáticas, que afirmam ser impossível acreditar no aquecimento global devido ao aparelhamento na ciência, pois a ciência teria virado um “instrumento militante”.

Em terceiro colocado na lista tríplice da universidade, Recktenvald conseguiu apenas 21% dos votos da comunidade acadêmica e não teria nem se classificado para o segundo turno das eleições, porém foi integrado à lista tríplice e selecionado por Bolsonaro, decisão que atropela a autonomia acadêmica e escancara o caráter hierárquico e autoritário das nomeações dos reitores das federais. Para criar seus tentáculos nas novas reitorias e nomear gente alinhada com um governo anti esquerda e contra a ciência das instituições públicas, já virou prática recorrente do presidente atropelar as decisões acadêmicas e essa já incorre na 6ª vez em que foi selecionado e nomeado um reitor que não venceu as eleições, chegando ao absurdo de nomear uma reitora que nem mesmo havia participado do processo eleitoral (no caso da UFGD).

Embora o presidente deva se valer de uma ordem de preferência do primeiro e, em caso de não possibilidade esclarecida, do segundo colocado e assim por diante, já está claro que a lista tríplice não é um mecanismo que garante a autonomia acadêmica e que, na medida em que cresce o autoritarismo do governo, ela é cada vez mais dobrada às vontades do alinhamento político do presidente.

Além dos ataques orçamentários massivos à educação, cada vez mais Bolsonaro avança sobre a autonomia das universidades e tenta produzir ele próprio um aparelhamento ideológico a fim de avançar em seu projeto de educação.

Apoiador do Future-se, projeto articulado do governo para avançar a sanha privatizadora das universidades públicas, o novo reitor que profere coisas absurdas e anti científicas é a exata face de um governo que, arbitrariamente, com decisões que passam por cima da universidade, deseja destruir a ciência das universidades públicas, aplicar suas ideologias obscurantistas e privatizar a educação pública.

É preciso, mais do que nunca, que se defenda as universidades e que se organize uma luta dos estudantes e trabalhadores da rede pública, que estão sofrendo e sofrerão ainda mais golpes da direita como esse, contra os avanços ideológicos e privatistas de Bolsonaro e pelo direito dos estudantes e trabalhadores de terem sua própria autonomia de decisão institucional.




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