Política

ELEIÇÕES 2018

Bolsonaro nega a realidade dizendo que não irá cortar direitos dos trabalhadores

Luiz Henrique

Professor da rede estadual em Resende, RJ

sábado 6 de outubro| Edição do dia

O candidato do PSL, Bolsonaro, que fugiu do último debate de presidenciáveis na tv aberta para conceder uma entrevista a emissora do Bispo Edir Macedo e depois postar fotos em redes sociais em casa assistindo um programa humorístico (veja aqui), veio a público contestar, de forma cínica, todos os ataques e críticas que sofreu pelos outros candidatos. Como o ex-militar demonstrou ao longo da campanha uma capacidade muito limitada de debate, ele adotou a tática de aparecer de forma isolada para o seu público, negando os fatos e distorcendo a realidade.

Ele negou que seu governo irá cortar direitos trabalhistas, como o décimo terceiro e o fundo de garantia e disse "estar atônito". Foi precisamente o que ele defendeu no dia 21 de Maio, em uma palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, diante de uma plateia de cerca de 200 pessoas. Nesta palestra, Bolsonaro mostrou mais uma vez que está ao lado da patronal: “Aos poucos a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego”.

Também propôs em seu plano de governo uma carteira de trabalho verde-amarela, fazendo um apelo ao sentimento de patriotismo, onde o jovem trabalhador possa “optar” por trabalhar em um regime onde o contrato individual prevaleça sobre o ordenamento jurídico. Ou seja, na prática ele está propondo é a verdadeira escravização da juventude pobre das periferias, que na nossa sociedade é quem acaba se sujeitando as piores condições de trabalho. Essa afirmação é constante na sua campanha, como pode ser visto nesse vídeo abaixo:

Após o atentado que sofreu, o candidato a vice de sua chapa, o general reformado Hamilton Mourão foi mais direto ainda e afirmou categoricamente que considera desnecessário o 13º salário. Diante de tudo isso, o que é para deixar qualquer um atônito é o cinismo do candidato. É preciso destacar que Bolsonaro representa uma ala da extrema-direita brasileira que tenta, com apoio do judiciário autoritário, militares, liberais e golpistas, impor um programa de ataque a classe trabalhadora sem precedentes, e que certamente não será barrado pela política do mal menor.

Para enfrentar a ultradireita, os golpistas e judiciário é preciso apostar na mobilização da classe trabalhadora, retomando os sindicatos das mãos da burocracia, para impor um programa operário e anticapitalista, capaz de dar uma resposta aos anseios da classe trabalhadora e do povo pobre: através de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, em que se possa lutar pelo não pagamento da dívida pública, por uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, atendendo as demandas da classe trabalhadora e fazendo com que os capitalistas paguem pela crise.




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