Política

ELEIÇÕES 2018

Bolsonaro na TV: demagogia para esconder seu autoritarismo e seu programa ultraneoliberal

O programa eleitoral de Bolsonaro na televisão é uma maquiagem do conteúdo absolutamente escravista de sua candidatura, que é a continuidade selvagem do golpe institucional.

sexta-feira 12 de outubro de 2018| Edição do dia

O programa eleitoral de Bolsonaro na televisão é uma maquiagem do conteúdo absolutamente escravista de sua candidatura, que é a continuidade selvagem do golpe institucional.

Trata-se de mostrar Bolsonaro "paz e amor", quando Bolsonaro é o representante de tudo que há mais conservador e reacionário do país. Filhote da ditadura militar e bajulador de torturadores, seu projeto é esmagar todos os direitos dos trabalhadores, da população pobre, e é uma verdadeira ameaça a vida de mulheres, negros, LGBT’s e indígenas.

Programa de Bolsonaro no horário eleitoral

Com um discurso demagógico Bolsonaro esconde ser parte da mesma casta política corrupta que governa para os capitalistas (empresários, latifundiários e grandes banqueiros, que com a ajuda da grande mídia apoiam Bolsonaro), lucrando com a política e aumentando exponencialmente seu patrimônio e de sua família. Basta ver que Paulo Guedes, seu favorito para a Fazenda, é denunciado pelo MPF por desvio de milhões de reais dos fundos de pensão do BNDES, enquanto seu cotado para a Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) admitiu ter recebido dinheiro de caixa 2 da JBS, comprovadamente corrupta. Nem falar de Luciano Bivar, dono do PSL, sigla que abriga Bolsonaro, que é envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro.

Mais escandalosas são as mentiras deslavadas sobre seu programa econômico (que oculta no horário eleitoral). Ao contrário do que foi veiculado pela Globo, Folha de S. Paulo e o Estadão neste últimos dias, Bolsonaro quer uma reforma da previdência brutal sobre as mesmas bases defendidas pelo governo golpista de Temer. Paulo Guedes já defendeu a privatização de todo o país - assim como a entrega da Petrobras às petroleiras norte-americanas - a fim de "zerar a dívida pública", pagando essa fraude aos banqueiros estrangeiros.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Bolsonaro anunciou que em seu governo vai facilitar a vida para os ruralistas donos de grandes propriedade que utilizam trabalho escravo. Na entrevista, Bolsonaro disse que ia acabar com o "ativismo fiscalizatório".

Tendo defendido o "fim do Ministério Público do Trabalho", o programa de escravização dos trabalhadores defendido por Bolsonaro foi sintetizado várias vezes nos debates televisivos e entrevistas: "Os trabalhadores devem escolher: todos os direitos e nenhum emprego, ou menos direitos e algum emprego". Seu mote é "acabar com os custos trabalhistas e tirar a carga das costas dos empresários". Tanto assim que já monta uma equipe de banqueiros (Bank of America, Santander) e empresários milionários para compor parte de seu gabinete (um deles, o homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev). Esse time de capitalistas ultramilionários terá uma função especial: trucidar cada ponto dos direitos trabalhistas, acabar com a CLT, escravizar a população através da generalização da terceirização do trabalho, em especial a população negra e indígena, que Bolsonaro e Hamilton Mourão odeiam.

"Quanto mais direitos se dá a alguém pior fica", diz Bolsonaro. Como confessa o próprio Bolsonaro, ele votou a favor da nefasta reforma trabalhista "com sugestão dos empresários". Bolsonaro é um servo do grande capital estrangeiro, que quer diminuir o chamado "custo Brasil". Para isso, precisa acabar com os direitos trabalhistas.

É impossível enfrentar este programa econômico ultraneoliberal sem atacar os capitalistas, e propor medidas concretas para que sejam os latifundiários, empresários e banqueiros os que paguem pela crise.

Ao contrário disso, o PT não propõe nada concreto em seu horário eleitoral gratuito; mais que isso, com um discurso geral de "paz e amor", Haddad quer conduzir o sentimento legítimo de ódio da população contra Bolsonaro ao beco sem saída da estratégia eleitoralista "normal" do PT, que contém novos acordos com empresários.

Acompanhamos todos os trabalhadores e jovens que votam criticamente em Haddad para derrotar o escravismo de Bolsonaro nas urnas. Mas a estratégia do PT já se mostrou absolutamente impotente para combater a extrema direita. Não vamos combater o golpismo e a extrema direita com propostas vagas para atrair supostos aliados dos partidos neoliberais e golpistas tradicionais, como o PSDB, que foram derrotados nas eleições. Só poderemos combater seriamente a Bolsonaro com um programa que responda de forma radical às verdadeiras angústias da maioria explorada e oprimida do país.

Um programa operário e anticapitalista que enfrente o programa ultraneoliberal do golpismo e de Bolsonaro passa pelo não pagamento da dívida pública, a estatização sob gestão dos trabalhadores e controle popular de todas as grandes empresas envolvidas em corrupção, uma Petrobras 100% estatal sob administração dos petroleiros, a proibição das demissões e a elevação do salário mínimo ao patamar exigido pelo DIEESE, repartindo as horas de trabalho entre empregados e desempregados sem redução salarial.

É urgente organizar a luta contra a extrema-direita, e a construção de comitês de auto-defesa e de luta, em cada local de trabalho e estudo, contra Bolsonaro é o primeiro passo para isso. A primeira tarefa de todo comitê é massificar nossa luta. Nas universidades, escolas, fábricas e em cada local onde houver disposição de luta contra a extrema-direta precisamos mobilizar a maior quantidade de pessoas possível. Só nos mobilizando desde a base é que vamos conseguir construir uma verdadeira força social que seja capaz de enfrentar o reacionário Bolsonaro e seus aliados no exército, no judiciário, nas mídias, todos apoiados e financiados por grandes grupos econômicos.




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