Cultura

VEREADOR ESPALHA BOATOS SOBRE EXPOSIÇÃO

Bolsonaro mente e afirma que crianças eram vendadas e tocavam em genitálias na Queermuseu

quinta-feira 14 de setembro| Edição do dia

O mandato do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) produziu um vídeo com informações mentirosas a respeito da exposição "Queermuseu", que foi cancelada pelo banco Santander após protestos de setores dos mais reacionários da direita brasileira em seus arroubos de moralismo tacanho.

Veja o vídeo de Bolsonaro:

Conforme foi desmentido pelo site e-farsas o conteúdo do vídeo é uma invenção de Bolsonaro. Essa faz parte da sua campanha bizarra para que a exposição seja repudiada em nome da "moral e dos bons costumes".

O fato é que a foto mostra uma obra da artista Lygia Clark de 1967. A obra, chamada "O Eu e o Tu: Série Roupa-Corpo-Roupa", não fazia parte da "Queermuseu", que apenas reproduziu os trajes e os colocou em manequins, explicando como funcionava na instalação original da artista, que, aliás, faleceu em 1988.

O vídeo e o vereador mentem dizendo que as crianças tinham que tocar nas "genitálias umas das outras" para terem a "percepção de gênero do coleguinha". Na exposição em que "O eu e o tu" estava presente, como esclareceu em entrevista o filho de Lygia Clark para o Globo, nada do que disse Bolsonaro sobre a obra era verdade também: "Essa informação é um engano, porque o macacão é de tamanho grande, impossível de uma criança vestir. Também não há toque nas genitálias e o contato, quando um zíper é aberto, é feito em cima de plástico, borracha ou pelos colados, e não diretamente na pele."


Reprodução da obra de Lygia Clark tal como estava na Queermuseu.

Para caluniadores e reacionários como os Bolsonaro, vale qualquer artifício espúrio para tentar fazer valer seu conservadorismo tacanho, que não apenas que calar os professores nas escolas, mas agora também quer calar os artistas, mostrando até que ponto querem destruir qualquer possibilidade de livre pensamento e expressão.




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