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Bolsonaro lança MP transferindo Coaf ao Banco Central e quer alteração na direção da RF.

Nessa terça feira, 20/08, o Governo anunciou a Medida Provisória que transfere o Coaf, órgão de inteligência financeira que investiga movimentações bancárias suspeitas de corrupção, para o Banco Central e garantindo uma alteração completa de seu funcionamento onde Roberto Leonel, aliado de Moro, foi substituído. O governo também vem pressionando pela alteração de dirigentes da Receita Federal.

terça-feira 20 de agosto| Edição do dia

As revelações parciais das mensagens obtidas pelo jornal The Intercept vem sendo utilizadas como uma forma de desgaste controlado, não do projeto do golpe institucional operado em 2016, mas como forma de enfraquecer Moro e a lava-Jato dentro das disputas políticas palacianas que vemos voltar agora com mais força. As últimas mensagens deixam claras as ligações entre a operação e o chefe do Coaf pra obterem informações sigilosas sem autorização judicial prévia.

Após uma breve trégua nas disputas entre as instituições do regime pela aprovação da reforma da previdência a crise econômica, política e social está longe de ser resolvida e o caso relacionado a transferência do Coaf das mãos de Moro e da pasta da Justiça de volta para a da Economia de Guedes tem um novo episódio que vem combinado com uma maior interferência política do Governo nas mais diversas esferas da economia para escantear Moro e a Lava-Jato e garantir-lhe maior controle nas investigações sobre casos de corrupção.

Os flancos de intervenção do Governo

Enviada para análise do Congresso a MP que transfere o Coaf – agora atual UIF (Unidade de Inteligência Financeira) - para controle do Banco Central, ao mesmo tempo que abre o precedente para indicações políticas por parte do atual presidente e para a composição do quadro de funcionários que já não precisam mais serem ligados ao BC e podendo se inclusive militares.

O ex presidente do Coaf Roberto Leonel, ligado a Moro e a Lava Jato, tem se pronunciado publicamente criticando a decisão do Ministro do STF Toffoli em suspender todas as investigações que continham informações fornecidas pela Coaf sem autorização judicial prévia. A decisão afetou diretamente a investigação da “rachadinha” de Flávio Bolsonaro, com fortes indícios de corrupção num esquema com seus assessores e chefes de gabinete ligado ao escândalo de Queiroz.

Com a troca de Leonel para Ricardo Liáo para presidir a UIF um ponto de apoio importante da Lava-Jato para seus métodos autoritários de perseguição política através de informações obtidas de maneira ilegal é minado e Guedes e Bolsonaro ao mesmo tempo em que fortalecem seus laços com o STF garantem uma menor subordinação de suas ambições políticas aos interesses da Lava-Jato.

Num movimento de mesma intenção Bolsonaro agora pressiona pela alteração do quadro diretor da Receita Federal que já levou a demissão e substituição do subsecretário-geral que, coincidentemente também vem se posicionando contrário as interferências políticas nesses órgãos de investigação. Recentemente Alexandre de Moraes emitiu uma decisão judicial que suspende todas as investigações instauradas na Receita Federal que atingiram ministros da corte e outras autoridades, isso pois mensagens vazadas mostravam que Dallagnol incentivou seus colegas a investigar Toffoli em 2016.

Ou seja, o que vemos é um enfraquecimento da Lava-Jato e um movimento do próprio Governo de isolar cada vez mais Moro e essa ala do autoritarismo judiciário para impedir que seus métodos autoritários acabem recaindo sobre eles mesmos já que estão envolvidos em corrupção até o pescoço. Por outro lado Bolsonaro e STF que já trocaram muitas farpas agora buscam se relocalizar para atacar um inimigo comum que avançava em processos de investigação contra ambos em casos de corrupção.




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