Política

MARIELLE FRANCO

Bolsonaro junto a Moro querem usar a Polícia Federal para intimidar porteiro e seu depoimento

Após a bombástica revelação da reportagem do Jornal Nacional, que a partir do depoimento do porteiro e de uma planilha de acesso ao condomínio onde residia um dos suspeitos e também Jair Bolsonaro, cresceram os indícios de ligação entre Bolsonaro e os executores do assassinato da vereadora Marielle Franco. Agora o presidente aponta que utilizará a PF para desarmar essa nova peça chave para o caso: o depoimento do porteiro.

quarta-feira 30 de outubro| Edição do dia

No dia de ontem (30), uma reportagem do Jornal Nacional, intensificou os indícios de ligação entre o clã Bolsonaro e a execução da vereadora Marielle Franco. A partir do depoimento de um porteiro do condomínio onde reside um dos suspeitos, Ronnie Lessa, junto a planilha de controle de acesso do local, a reportagem revelou que outro suspeito, Élcio Queiroz, visitou a casa de Ronnie no dia do crime.

Entretanto, o fato mais chocante revelado pelo depoimento do porteiro, que disse que Élcio pediu autorização para ir ao imóvel 58, de propriedade de Jair Bolsonaro. Além disso, segundo o porteiro, ao interfonar para solicitar a permissão uma voz que ele identificou como de Bolsonaro deu a autorização.

A própria reportagem ponderou que, no dia em questão, Bolsonaro participou de votações na Câmara dos Deputados às 14h e 20h30, em Brasília, segundo os registros oficiais.

De forma imediata, Bolsonaro transmitiu uma live pelas redes sociais, em que apareceu visivelmente descontrolado e irado acusando a reportagem de calúnias e alegndo que a emissora age em permanente campanha de perseguição contra ele. Bolsonaro também levantou suspeitas sob a investigação, a acusando de manipular o depoimento do porteiro.

No dia de hoje, Bolsonaro já se pronunciou afirmando que está em contato com o ministro da Justiça Sergio Moro para que tome as devidas providências para que a Polícia Federal convoque o porteiro para novo depoimento.

"O porteiro ou se equivocou ou não leu o que assinou. Pode o delegado [da Polícia Civil] ter escrito o que bem entendeu e o porteiro, uma pessoa humilde, né, acabou assinando embaixo. Isso pode ter acontecido. Estou conversando com o ministro da Justiça, o que pode ser feito para a gente tomar, para a polícia pegar o depoimento novamente. O depoimento agora desse porteiro pela PF", declarou.

Pelas revelações o depoimento do porteiro tornou-se peça chave na investigação da morte de Marielle, há mais de um ano sem resolução. O objetivo de Bolsonaro ao acionar a PF por meio de Moro é evidente: desarmar a principal prova que estabelece uma ligação direta entre Bolsonaro e os suspeitos da execução.

Há de se lembrar que não é a primeira vez que Bolsonaro busca intervir nas investigações. O presidente comprou uma briga com o MPF-RJ que terminou com o afastamento do superintendente do MP local, justamente em razão do prosseguimento das investigações em relação ao caso Queiroz e as ligações do clã com as milícias.

As investigações do caso caminham a passos de tartaruga, controladas por diversas interferências e interesses sob o caso. O caminho para obrigar a que o Estado realmente investigue e puna os culpados é a mobilização. No entanto, ao mesmo tempo que devemos seguir exigindo que o Estado investigue e puna os executores e mandantes do crime, não podemos deixar que somente este Estado, que tem seus vínculos com o assassinato, controle os rumos das investigações. É urgente uma mobilização para impor que o Estado garanta recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, disponibilizando materiais, arquivos para organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, e que parlamentares do PSOL, familiares, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favelas, etc, que sejam parte da investigação.




Tópicos relacionados

Marielle Franco   /    Jair Bolsonaro   /    Política

Comentários

Comentar