INSULTO

Bolsonaro insulta Fernando Santa Cruz, e mente sobre seu assassinato pela ditadura

Bolsonaro insultou o militante Fernando Santa Cruz assassinado pela ditadura. Diante da repercussão negativa voltou a mídia para mentir sobre o caso. Em memória dos mortos é preciso lutar pela abertura de todos arquivos da ditadura e pela punição de todos assassinos e torturadores.

segunda-feira 29 de julho| Edição do dia

Bolsonaro defensor público do torturador Ustra foi à imprensa neste dia cuspir na memória de Fernando Santa Cruz, militante assassinado em 1974 para provocar seu filho Felipe Santa Cruz que é atualmente presidente da OAB. Frente à repercussão de suas declarações procurou inventar mentiras, mas prontamente já foi desmascarado por relatórios da própria Aeronáutica.

Fernando foi desaparecido depois de prisão pela ditadura em 1974. Fernando era estudante de direito quando foi assassinado e desaparecido. O Diretório Central dos Estudantes da UFF, onde estudava, leva seu nome em memória. Bolsonaro começou o dia declarando o seguinte quando falava da sentença de Adélio Bispo: “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados [do Adélio]? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia se o presidente da OAB [Felipe Santa Cruz] quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, disse Bolsonaro.

Mais tarde com declarações contrárias em todo espectro político ele inventou a mentira que Fernando havia sido “justiçado” por sua própria organização. Porém o relatório da Aeronáutica divulgado pelo jornal O Globo desmente categoricamente a afirmação do presidente. Ele morreu, assassinado sob custódia do Estado:

A declaração de Bolsonaro não é um devaneio de alguém fora de suas capacidades mentais como querem fazer dirigentes do PT. Trata-se de mais um episódio de divulgação de mentiras sob a ditadura e de insulto a memória dos militantes mortos e torturados e de seus familiares vivos. Essa declaração, tal como outras, é usada por Bolsonaro conscientemente para mostrar a empresários os extremos que ele defende quando se trata de garantir os lucros contra os trabalhadores, e trata-se de mostrar também às forças repressivas que elas podem continuar gozando hoje em dia com toda a impunidade que a transição pactuada lhes garantiu. Uma impunidade que nunca foi questionada pela Comissão de Verdade do governo Dilma e em todos 13 anos de governo do PT.

A depender de Bolsonaro e de seu ministro Sérgio Moro, haverá “excludente de licitude” ao lidar com negros, com pobres e trabalhadores, tal como houve anistia a todos assassinos do regime militar.

À memória de Fernando Santa Cruz, de Olavo Hansen e de tantos outros assassinados pela ditadura não se limita a se contentar que até Doria criticou Bolsonaro. À memória dos mortos e torturados ergue-se hoje a imperiosa necessidade de levantar a plenos pulmões uma campanha pela completa abertura de todos arquivos da ditadura, e pela punição de todos assassinos e torturadores.




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