ATAQUES A CULTURA

Bolsonaro indica pastor e "cineasta cristã" para a Ancine, avançando na doutrinação da cultura

sexta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

O presidente Jair Bolsonaro submeteu ao Senado Federal, para apreciação, os nomes de Edilásio Santana Barra Júnior e Veronica Brendler para ocupar a diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Edilásio é jornalista, apresentador de TV, empresário de eventos e pastor evangélico e já estava na Ancine, como superintendente de Desenvolvimento Econômico da agência. Veronica Brendler é jornalista, produtora cultural, cineasta e idealizadora do Festival Internacional de Cinema Cristão (FICC), realizado há sete anos no País.

Ainda segundo o seu currículo, ela já teve mais de 80 projetos aprovados pela Lei Rouanet — o mecanismo foi alvo de críticas do, à época, candidato Jair Bolsonaro, e sofreu mudanças radicais nos tetos de investimento em abril de 2019. Ela também trabalhou como produtora do SBT.

A indicação desses dois nomes para o órgão mostram como mesmo com a demissão de Roberto Alvim, em momento nenhum Bolsonaro desistiu do que o ex-secretário havia sinistramente anunciado em seu vídeo plágio de nazista, um projeto de arte conservador.

Veja mais:Bolsonaro ameaça extinguir a Agência Nacional de Cinema (Ancine)

Em outros momentos Bolsonaro já havia atacado a Ancine, pelo que chamou de "ativismo" do órgão na escolha do conteúdo dos filmes a serem financiados. Com as nomeações o governo avança no aparelhamento do órgão e na censura de produções que fujam da defesa dos valores defendidos por ele, sendo esses o conservadorismo, o machismo, o racismo e a LGBTfobia costumeiramente presentes em suas declarações.

É preciso se organizar para defender o direito ao livre pensamento, à cultura e às artes, bem como à educação, sem dissociar esta luta aos ataques econômicos e o projeto de miséria que Boslonaro quer nos impor em nome do lucro dos capitalistas.

Veja mais:Bolsonaro avança contra Ancine e quer cortar 43% do fundo do audiovisual para 2020




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