SAÚDE

Bolsonaro esconde estudo sobre saúde negra preocupado com a fúria antirracista internacional

Na mesma linha de Weitraub que disse odiar o termo povos indígenas, em reunião ministerial, o Ministério da Saúde espera fomentar essa visão de que não existe diferença entre brancos e negros no Brasil. Para poder afirmar isso precisa esconder os números e pesquisar que provam o contrário.

sexta-feira 12 de junho| Edição do dia

Após a tentativa de manipular o cálculo dos casos e mortes por COVID-19, que escondia o fato de que são os negros que mais morrem pelo Coronavírus, o Ministério da Saúde, dirigido pelo general paraquedista Pazuello, retira do site do Ministério importante estudo sobre a saúde da população negra. Esconder esses dados é a mostra do medo do governo Bolsonaro das explosões sociais que se gestam na profunda desigualdade racial do país e que tem saltado aos olhos com a pandemia, frente a revolta internacional contra o racismo estatal.

A pesquisa que saiu do ar é um estudo que ouviu mais de 52 mil brasileiros sobre saúde da população negra. Ela aponta que as pessoas negras tem menos acesso ao consumo de frutas e hortaliças que as pessoas brancas (29,5 vs 39,1%), que os negros avaliam de maneira mais negativa o sistema de saúde do que os brancos (5,2% vs 4,0%). Por outro lado, a pesquisa também indica que a população negra apresenta frequências maiores do que a população branca na prática de atividade física (15,3% vs 13,3%). Dados retirados do site almapreta.com.

O levantamento representa mais uma comprovação científica de que existe desigualdade social entre negros e brancos no Brasil. Como era de se esperar, já que o Brasil é o país mais negro fora da África, o país que mais traficou negros para o trabalho escravo na América e que libertou os escravos numa política conscientemente racista de deixar aos negros a fome, na medida que o Estado privilegiou a contratação de trabalhadores migrantes europeus na tentativa de branqueamento da sociedade. Aos negros sobraram os piores postos de trabalho, as favelas, a informalidade e o desemprego.

Em todo o século XX não houve política para inserir descendentes de escravos “libertos” na sociedade. No século XXI, políticas como as cotas nas universidades foram arrancadas por meio de lutas importantes, mas a realidade da imensa maioria do povo negro continua sendo a de ocupar os piores postos de trabalho, em especial às mulheres negras, como a mãe do Miguel, doméstica obrigada a trabalhar durante a pandemia e que levou seu filho para o serviço por não ter com quem deixá-lo, cuja patroa branca deixou que se jogasse do nono andar a procura de sua mãe, que estava cuidando dos cachorros da casa.

Bolsonaro e Pazuello podem esconder as pesquisas, os números, mas não escondem a realidade escancarada de milhares de negros mortos pelo estado, seja com crianças negras assassinadas pela polícia, seja por serem os que mais morrem expostos ao Coronavírus, ou pela fome causada pelo desemprego e os lucros capitalistas. Ághata, João Pedro, Juan Oliveira, George Floyd e tantos outros são vítimas da ganância capitalista e sua herança escravista, seja no Brasil ou nos EUA. Se a revolta negra nos EUA tem todo o sentido de ser, no Brasil os negros junto com toda a classe trabalhadora antirascistas tem que fazer uma revolução para pararem de morrer pelas mãos do estado e serem respeitados como iguais não só perante a lei mas perante a vida também. Vidas pretas importam!




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