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Bolsonaro, em discurso higienista e LGBTfóbico, diz que pessoa com HIV é despesa no Brasil

Nesta quarta-feira, 5, o presidente reacionário Jair Bolsonaro ao comentar a absurda campanha de Damares de abstinência sexual, afirmou que “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”.

quarta-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Ao comentar a irresponsável campanha de abstinência sexual da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, Bolsonaro resolveu ir mais fundo com seu reacionarismo e, retomando a ideologia arcaica e higienista dos anos 80, declarou o absurdo de que uma pessoa com HIV é uma despesa para todos no Brasil. Ele estava relatando o caso de uma jovem que supostamente teve o 2º filho aos 15 anos e que contraiu HIV na 3ª gravidez. A declaração foi feita para jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.

Para piorar, Bolsonaro ainda continuou: “essa liberdade que pegaram ao longo do PT que vale tudo chega a esse ponto, uma depravação total”. Ou seja, continuando com a política de Damares que é totalmente irresponsável com os jovens pois negligencia campanhas de contraceptivos, ele ataca a sexualidade da juventude escancarando seu projeto de repressão ao corpo e às liberdades de cada um. Abertamente seu argumento é machista e LGBTfóbico, pois não é novidade que esse ataque à liberdade é um ataque principalmente às mulheres, que devem ser "recatadas" de acordo com sua ideologia reacionária, e aos LGBTs.

Bolsonaro em seu discurso também afirma falsamente que durante os anos de governo do PT houve grande liberdade sexual, quando na verdade foi Dilma Rousseff que vetou o kit-anti homofobia nas escolas, produzido pelo MEC com gastos federais para promover a inclusão e o respeito a diversidade, a partir de vídeos, de desenhos, que foram considerados "impróprios" e que "poderiam influenciar na sexualidade das crianças". Além disso, também foram nos anos de governo do PT que o Pastor Marco Felicano, que tentou defender a "Cura gay", foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Veja também: Governo que já defendeu trabalho infantil, lança campanha por abstinência sexual: #TudoTemSeuTempo

Com isso, retoma a ofensiva da década de 80, o auge do preconceito e estigma da comunidade da diversidade sexual sob a suposta "peste gay", enquanto a Igreja Católica discursava sobre a abstinência sexual como método preventivo às ISTs, o que significava apagar toda sexualidade subversiva que questionava não apenas a moral da época, mas um sistema de exploração e opressão que impede, até os dias de hoje, a liberdade sexual.

Confira o vídeo:

Bolsonaro fez essa declaração absurda pois de acordo com o ministério da Saúde, o SUS (Sistema Único de Saúde) distribui gratuitamente todos os medicamentos antirretrovirais desde 1996, e há 7 anos, o governo provê tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV (PVHIV), independentemente da carga viral. Ou seja, faz o mínimo que o Estado tem a obrigação de fazer para dar assistência a quem precisa.

A cura definitiva para o HIV para acabar com esta epidemia é cada vez mais urgente. Embora os tratamentos reduzam o contágio e melhorem a qualidade de vida da população soropositiva, eles ainda estão longe de ser uma cura para o vírus. Nesse sentido, ao invés de o governo estar destilando ódio e políticas higienistas, machistas e LGBTfóbicas, deveria estar parando de de beneficiar um punhado de empresários de laboratórios farmacêuticos que lucram com essas doenças e destinando um orçamento real para encontrar a cura definitiva, para que todos tenham direito de uma vida que valha a pena ser vivida.

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