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Bolsonaro em declaração sobre o 1° de Maio: ignorar mortes e voltar ao trabalho sem EPIs

Em live da deputada Bia Kicis transmitida do Palácio da Alvorada nessa sexta-feira (1), Bolsonaro manda sua mensagem para os trabalhadores nesse 1° de Maio: com o colapso de sistemas de saúde em diversos Estados e recordes de morte gostaria que todos voltassem a trabalhar para manter o lucro dos capitalistas.

sexta-feira 1º de maio| Edição do dia

Copiamos aqui a declaração absurda feita por Bolsonaro:

“Eu gostaria que todos voltassem a trabalhar, mas quem decide isso não sou eu, são os governadores e prefeitos. Então, um bom dia a todos, o Brasil é um país maravilhoso. Deus acima de todos, brevemente voltaremos à normalidade”.

Não bastando ter feito piada com as taxas recordes de mortes no país pelo coronavírus ao dizer que “E daí?” que morreram já mais de 5.000 pessoas no país, Bolsonaro tem a cara de pau de declarar no dia histórico de luta da classe trabalhadora internacional que gostaria que em meio a pandemia todos os trabalhadores arriscassem as suas vidas para manter o lucro dos capitalistas e das elites parasitárias. Forçando uma cínica preocupação com o emprego da população não podemos esquecer que partiu como proposta do governo a MP da Morte que tem permitido já demissões massivas e cortes de salários de milhares de trabalhadores em diversos Estados.

O Brasil é um dos países que menos realiza testes proporcionalmente ao número de habitantes, estudos apontam que o número pode estar em até 15 vezes maior do que os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde de Teich e dos generais. Mas até mesmo os dados oficiais completamente distorcidos apontam um cenário grave, vemos cada dia mais pessoas morrerem a espera de atendimento, sem sequer terem seus diagnósticos prontos. Não existem mais leitos de UTI na rede pública e os setores privados preferem manter leitos vazios e verem nossa morte a permitir o atendimento daqueles endividados.

O negacionismo de Bolsonaro beira o absurdo, junto a essa infame piadinha de “Sou Messias, mas não faço milagre”, diz que 70% da população será contaminada e Teich já disse que podemos ver no Brasil índices de 1.000 novas mortes à cada dia! Mourão também em declaração recente disse haver por parte dessa ampla “oposição” um movimento de fazer “politicagem” com o coronavírus, defendendo o retorno das atividades de comércio para salvar a economia: O governo quer que paguemos com nossas vidas o custo da pandemia e da crise econômica enquanto articula repasses de trilhões aos bancos e bilhões para deputados do centrão visando sem blindar de possíveis impeachments.

Em contrapartida a política dos governadores, junto ao STF que avança em medidas autoritárias contra a população permitindo o corte de salários e a proibição do aborto em casos de zika vírus, por mais que tentem pintar de “moderados e racionais” não passa de outro lado da mesma moeda: Governadores flexibilizaram quarentenas em diversos Estados, escondem os números reais de mortos na base da subnotificação e se preparam para nossas mortes ao milhares abrindo covas em valas comuns como Manaus, ou na encomenda de enormes frigoríficos por parte de Doria e Witzel.

Nós, Esquerda Diário e do MRT, repudiamos essa declaração de Bolsonaro e o discurso negacionista que parte dessa extrema-direita nojenta. Assim como a política de todo seu governo hoje sustentado pelos generais em seus ministérios e que disputam o papel de arbitro autoritário da crise e do regime político brasileiro. Bem como não depositar qualquer ilusão ou confiança de que a resposta viria por parte do congresso, do STF e dos governadores pela via do impeachment ou da renúncia. É preciso uma saída independente da classe trabalhadora.

Nesse sentido viemos desde o início da semana fazendo um chamado para todos os setores que se reivindicam revolucionários e socialistas a romperem com o ato organizados pela burocracia sindical do PT e do PCdoB (CUT e CTB) nesse 1° de Maio – que com a presença de figuras como Rodrigo Maia, FHC e até mesmo os governadores é a concretização trágica da sua estratégia eleitoral de frente ampla na oposição à Bolsonaro colocando os trabalhadores à reboque daqueles que querem nos arrancar a vida pelo lucro dos patrões –. Para que fosse conformado um ato independente com o eixo Fora Bolsonaro e Mourão, um verdadeiro polo de independência de classe. Infelizmente o chamado por parte da CSP-Conlutas e da Intersindical foi apenas pelo Fora Bolsonaro! Jogando a população nos braços dos militares que podem assumir o controle dos rumos do país pela via da posse do vice general Mourão.

Seguimos defendendo com todas as forças uma política que permita com que seja a classe trabalhadora a emergir com toda sua força enquanto sujeito independente, com um programa que permita defender as vidas acima do lucro dos capitalistas: Fora Bolsonaro, Mourão e militares! Nenhuma confiança em Maia, governadores e STF! O povo deve decidir sobre os rumos do país nos combates as crises sanitária, política e econômica pela imposição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que varra todo esse regime golpista que desde 2016 avança cada vez mais rumo ao autoritarismo, e possa conquistar as reivindicações elementares das massas trabalhadoras:

Com a proibição de todas as demissões, uma quarentena com licença remunerada, contra as suspensões de contrato e reduções salariais, e garantindo um salário emergencial que chegue imediatamente a todos que estão sem renda, com valor suficiente para manter uma família. Com testes massivos, leitos equipados, contratação de todos os profissionais da saúde e centralização da saúde no estado, sob controle dos trabalhadores. Com todo o financiamento necessário, a partir do não pagamento da dívida pública. Com a reconversão produtiva para garantir os insumos e equipamentos necessários.




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