Bolsonaro elogia golpista CNI e diz "os donos de empresas serão nossos patrões"

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 5 de julho| Edição do dia

Como em todo ano de eleição presidencial, a indústria já se lançou à buscar quem beija suas mãos e lava seus pés. Foi nesta quarta-feira (4), que os capitalistas se reuniram com alguns dos candidatos à presidência para cobrar mais “punhos de ferro” contra os trabalhadores e benefícios aos patrões.

Na sabatina com seis candidatos ao Planalto, o presidente golpista do sindicato das construtoras reclamou que o Ministério Público e a legislação ambiental são uma “parafernália” que cobra um preço muito alto da indústria. Foi assim que cobrou mudanças duras que beneficiem os industriais custe o que custar, como destruição ambiental e ataque aos direitos trabalhistas.

Como não poderia deixar de ser, todos os golpistas fizeram questão de se abaixar num verdadeiro “lava pés” dos grandes capitalistas. Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), fizeram as honras de, em comum acordo dos dois partidos golpistas, prometerem menos impostos às empresas.

Entretanto, o candidato aclamado pelos engravatados foi o reacionário capitão da reserva, Jair Bolsonaro (PSL). Assim como no início do ano, quandoBolsonaro foi aplaudido por executivos do mercado financeiro ao prometer metralhar a Rocinha se for eleito, o reacionário presidenciável tenta, mais uma vez, se alçar como possibilidade para o mercado.

Vestindo o uniforme de industrial, Bolsonaro fez questão de deixar claro, como qualquer candidato dos patrões, que “os senhores que estão na ponta das empresas serão os nossos patrões”. Levando os capitalistas ao delírio, Bolsonaro mostra mais uma vez que não pode ser alternativa para a juventude e para a classe trabalhadora. Promete mais ataques como os da Reforma Trabalhista, “vencer os problemas ambientais”, abrindo margem para ataques mais duros contra o meio ambiente e, como já demonstrou diversas vezes, contra os indígenas e quilombolas.

Para fechar, o candidato ainda deixou claro, em alto e bom som, que os trabalhadores terão que escolher, num eventual governo seu, entre “menos direitos e emprego” ou “todos os direitos e desemprego”, deixando claro que fica com o primeiro, menos direitos, e, se os patrões quiserem, quem sabe, nenhum. Foi com este objetivo, de se alçar como alternativa, que discursou aos patrões nacionais, mas também aos imperialistas, numa demonstração de que o patriotismo dessa direita é sob a bandeira dos EUA e das privatizações.

Bolsonaro faz parte da mesma casta de políticos que se beneficiam das regalias e altos salários, como políticos e juízes, tão discrepantes com a realidade da classe trabalhadora brasileira. A mesma classe trabalhadora que o capitão da reserva promete atacar com punhos de ferro para garantir a continuidade do golpe institucional de 2016, apoiado pelos grandes capitalistas e ovacionado, com dedicatória à torturadores da ditadura militar, por Bolsonaro e companhia.




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