ELEIÇÕES 2018 - SEGUNDO TURNO

Bolsonaro eleito: a organização dos trabalhadores e da juventude é urgente!

Fernando Pardal

@fepardal

segunda-feira 29 de outubro| Edição do dia

O filho indesejado da Lava-Jato, Jair Bolsonaro, foi eleito nessas eleições descaradamente manipuladas pelo judiciário, que prendeu arbitrariamente o ex-presidente Lula, sequestrou votos de mais de 3,5 milhões de eleitores sob o pretexto da biometria e deu carta branca às fake news mais absurdas de Bolsonaro, fomentadas por um grupo vasto de empresários que gastaram milhões de reais de caixa 2 ilegal em compra de "pacotes de disparo de mensagens" via WhatsApp, entre diversas outras formas de manipular os resultados e favorecer os candidatos alinhados aos interesses patronais.

O Esquerda Diário há tempos, e ao longo de todo o período eleitoral, vem denunciando todas as declarações de Bolsonaro que demonstram como seu governo irá representar uma continuidade violenta e repressiva do governo de Temer, colocando como prioridade, como declarou após votar o vice Hamilton Mourão, a reforma da previdência que destrói nossas aposentadorias. Bolsonaro pretende, como disse em discursos recentes "varrer os vermelhos", prender opositores, "acabar com o ativismo". Além disso, a militância de extrema-direita afinada com suas ideias vem protagonizando ataques contra mulheres, negros e LGBTs.

Frente a tudo isso, muitos setores que expressaram seu ódio e repúdio ao candidato do PSL, se colocando ativamente nas ruas para militar por sua derrota nas urnas, sentem-se desanimados, temerosos, tristes ou acuados. Queremos debater com todos esses companheiros para fazer um chamado claro: não podemos baixar a cabeça, desanimar, e nem tampouco nos subordinarmos à estratégia petista que quer fazer uma "oposição parlamentar" contra Bolsonaro.

Estamos nessa situação hoje em grande medida como fruto da estratégia parlamentar e de conciliação dos petistas, que não deram um combate sério contra o golpe, contra Bolsonaro, contra a extrema direita, apostando todas as fichas em uma vitória eleitoral numa eleição que, desde o início, era totalmente manipulada e de cartas marcadas pelo judiciário golpista – que chegou ao extremo de promover intervenções nas universidades.

Agora é a hora de nos organizarmos, de transformar nosso ódio em luta, em um combate decidido e com um programa e uma estratégia capaz de fazer frente ao fortalecimento da extrema direita e ao governo de Bolsonaro.

O Esquerda Diário vem se colocando como uma importante ferramenta de combate, chegando a mais de cinco milhões de acessos nos últimos trinta dias, com inúmeras matérias de denúncia e combate a Bolsonaro.

Impulsionamos também nos locais onde atuamos como Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) alas anticapitalistas e revolucionárias que se lutam por recuperar as organizações sindicais e estudantis das mãos das burocracias que freiam nossa luta, com um programa de independência de classe na perspectiva de fazer com que os capitalistas paguem pela crise.

Em exigência às centrais sindicais, especialmente à CUT e à CTB, e às entidades estudantis (especialmente à UNE), lutamos pela criação e massificação de comitês de base para fortalecer a luta, comitês que realizaram atos, paralisações nas universidades, e mostraram de forma embrionária que é possível, sim, organizar grandes lutas contra Bolsonaro, como vimos nas universidades ao redor do país.

Fomos às fábricas, escolas, estações de metrô e diversos locais de trabalho e estudo panfletar e discutir com cada companheiro que é necessário transformar o ódio em luta, e em uma estratégia que possa ir para além da estratégia eleitoralista do PT, absolutamente impotente para frear a extrema direita.

Por isso, mais do que nunca, dizemos que é preciso nos unir, debater um programa dos trabalhadores, que possa dar uma resposta para que sejam os patrões, e não os trabalhadores e o povo pobre, os que paguem pela crise. Se é verdade que Bolsonaro venceu nas urnas, também é verdade que seus eleitores estão muito longe de conformar um bloco homogêneo, coeso, que concorde integralmente com sua ideologia de extrema direita.

Cabe a nós, que já estamos nesse combate contra Bolsonaro, nos prepararmos para todos os combates, e, sem esperar por janeiro, lutar desde já, incansavelmente, nos preparando para derrotar seus ataques sobre a previdência e nossas condições de vida onde estão nossas verdadeiras forças: não nas urnas manipuladas pelo judiciário, mas nas ruas, nas escolas e universidades, nas fábricas.

Chamamos todos a conhecer o MRT e fazer parte do Esquerda Diário e ajudar a construir essa ferramenta de luta. A se somar às companheiras do Pão e Rosas, em luta contra o machismo de Bolsonaro; ao Quilombo Vermelho, combatendo o racismo desse futuro governante; o Movimento Nossa Classe, organizando os trabalhadores a partir de cada luta; a juventude Faísca, atuando nas escolas, universidades, na juventude trabalhadora que sofre com a precarização.

Somente com uma organização independente, capaz de superar a falida estratégia petista e organizar uma imensa luta, poderemos confluir com os imensos setores de trabalhadores e da juventude que, mais cedo ou mais tarde, se chocarão com a dura realidade de um governo da extrema direita que foi eleito com o apoio dos principais setores da burguesia para destruir cada um dos nossos direitos. Mas somos maioria, e somos mais fortes. Com organização, uma estratégia e um programa corretos, poderemos vencer. É para isso que o Esquerda Diário e o MRT convocam cada leitor dessas linhas. Mãos à obra.




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