Política

GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro e a velha política: privilégios, indicações e amizades

O governo de Jair Bolsonaro mostra que apenas discursa contra os privilégios dos políticos e contra o toma lá da cá. Logo das primeiras semanas do governo Bolsoanro, já tiveram que recuar de três indicações de amigos e parentes do próprio presidente e do seu vice.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

segunda-feira 14 de janeiro| Edição do dia

Uma das notícias mais comentadas na semana passada foi a promoção do filho do vice presidente Hamilton Mourão, para um alto cargo como assessor do presidente do Banco do Brasil, o que faria com que triplicasse seu salário para R$ 36,6 mil.

Na mesma semana, Bolsonaro indicou seu amigo particular para assumir o cargo de gerência executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobrás. Seu amigo se chama Carlos Victor Guerra Nagem, Capitão-tenente da reserva da Marinha, também conhecido como Capitão Victor, filiado ao PSC.

Isso tudo após o período de transição em que o atual governo já apontava as práticas da velha política permeada de nepotismo quando Bolsonaro indicou também nada mais nada menos que seu filho, Carlos Bolsonaro, para assumir o ministério da comunicação social.

Junto ao nepotismo e favorecimento de pessoas do círculo pessoal dos cargos executivos, o governo Bolsonaro também repete o velho toma lá da cá, quando o PSL, partido de Bolsonaro, já fechou acordo na reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara de Deputados, o mesmo que levou à frente o golpe institucional, a PEC do teto dos gastos que congela os investimentos em áreas prioritárias do cotidiano da população como saúde e educação, além de terem mantido ileso Michel Temer de todas denúncias de corrupção.

Com práticas que vão na contramão do discurso demagógico e inflamado contra os privilégios dos políticos, os quais realmente indignam a população, o governo de Bolsonaro tem apresentado a mesma velha forma de governar para os grandes capitalistas e vão buscando encher os bolsos da forma que podem.

O governo de Bolsonaro não vai e não quer acabar com a corrupção e a “politicagem”, precisa dela para poder garantir a existência de seu governo e aprovar o corte de direitos dos trabalhadores. Mostram então que não se trata de combater a velha política mas sim alcançar seu objetivo principal: passar a reforma da previdência e aplicar a trabalhista. São inimigos dos trabalhadores e querem garantir os interesses dos milionários no Brasil retirando direitos para aumentar seus lucros.

Por isso defendemos que contra toda a velha política da qual Bolsonaro faz parte, cheia de práticas fisiológicas e nepotistas para atender aos interesses de seu clã político, que nenhum ataque seja desferido contra os direitos dos trabalhadores, das mulheres, da juventude, indígenas e da população negra, começando por barrarmos os ataques desses senhores reacionários, machistas e racistas contra a previdência social. Contra todos os privilégios, que todo políticos e juízes recebam o mesmo salário de uma professora além de que os juízes sejam eleitos por voto popular com mandatos revogáveis e que os crimes de corrupção sejam conduzidos por júri popular.




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