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Bolsonaro e Maia querem convencer governadores a congelar salários dos servidores na pandemia

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Depois de uma boa e calorosa conversa com Rodrigo Maia na semana passada – já que agora os corruptos do centrão já têm bem mais confiança nos militares de seu governo – Bolsonaro decidiu chamar os governadores para uma videoconferência. O objetivo: repartir o “desgaste” de vetar o reajuste de salários para professores, enfermeiros, médicos, assistentes sociais, profissionais de limpeza urbana e outros, ou seja, tirar daqueles que estão morrendo dia após dia, daqueles que realmente estão lutando contra o COVID-19. Essa é mais uma artimanha de Bolsonaro para tentar jogar a culpa da crise nos governadores e minimizar a fúria popular. Bem, que a verdade seja dita: desde Dória à Flávio Dino, todos são mais amigos de Bolsonaro do que parece, uns mais, outros menos; afinal, nenhum deles está provendo testes massivos, nem mais EPIs ou proibição das demissões para as trabalhadoras e trabalhadores da linha de frente, fora que assinaram em baixo contra a fila única de atendimento na saúde.

O Senado aprovou um repasse para estados e municípios, incluindo a exclusão de certas categorias do congelamento do reajuste de salário. Mas claro, a pulsão privatista e assassina de Paulo Guedes e dos militares já sentiu o cheiro de dinheiro indo para trabalhador – e isso não pode!

Hoje no Brasil, temos 11,5 milhões de servidores públicos. A despesa anual com eles é de R$725 bilhões. Fazendo uma conta rápida, se todos ganhassem igualmente, todos os servidores públicos teriam um belo salário de R$65.000 – um pouco mais do que o equivalente ao salário bruto da maioria dos ministros do STF. O problema, é que a média salarial no Executivo federal é de R$8 mil e do estadual de R$5 mil; no judiciário federal, R$13mil; já no nível municipal como um todo, com o maior número de servidores em relação ao federal e estadual, a média é de R$3mil. A explicação é simples: existe uma nata, uma elite do serviço público intocada e verdadeiramente privilegiada, enquanto a esmagadora maioria fica refém de salários miseráveis que fazem essa média abaixar vertiginosamente.

Mesmo diante desse dado, Bolsonaro e os militares não veem diferença nisso. Se dizem oposição ao Congresso, contra o STF – mas tocar no salário dos deputados e senadores, nem pensar; tocar nos salários dos ministros do STF, realmente é perigoso. É fácil congelar o salário de um governador ou de um ministro do governo, podem até ficar um tanto irritados, mas logo passa quando o mês acaba. Não podemos dizer o mesmo das enfermeiras e assistentes sociais, por exemplo, que talvez nem cheguem vivas ao final desse mês – mas Bolsonaro, Mourão e os militares não veem diferença.

Diante da política assassina do Estado, é preciso construir uma alternativa independente! Façamos uma política que passe pelas mãos da classe trabalhadora, pelas enfermeiras e assistentes sociais de todo o Brasil, organizadas desde a base, para esmagar o vírus e lutar por testes massivos, fim das demissões, por EPIs para todos e rechaçar essa medida de veto de Bolsonaro imediatamente! Não podemos confiar nessa videoconferência quarentena da e regada a salários milionários. Pela vida das trabalhadoras e trabalhadores, precisamos lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão, por uma Assembleia Constituinte livre e soberana imposta pela luta, para vingar as mortes provocadas pelo descaso desse governo, sem confiança nos governadores, no STF, em Maia. Viva a luta da classe trabalhadora e a linha de frente do combate ao COVID-19!




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