Política

LUCROS GARANTIDOS ÀS CUSTAS DOS GASTOS SOCIAIS

Bolsonaro diz que manterá teto de gastos sociais e segue pagando bilhões da dívida pública

Depois de fazer demagogia dizendo que revisaria o teto de gastos imposto por Temer à saúde e educação, Bolsonaro volta atrás e mostra que está incondicionalmente ao lado dos capitalistas e de seus lucros, não importando o quanto tenha que atacar os trabalhadores para isso.

quinta-feira 5 de setembro| Edição do dia

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta quinta-feira, 5, que o teto de gastos não deve ser flexibilizado "Como conversei com Paulo Guedes (ministro da Economia), seria uma rachadura em um transatlântico", afirmou.

A declaração de Bolsonaro reforça o recuo do presidente sobre revisar a regra implementada no governo Temer, que à época ficou conhecida como "PEC do fim do mundo" e levou dezenas de milhares a Brasília para protestar, sendo brutalmente reprimidas pelo governo. Mais cedo, nas redes sociais, Bolsonaro já havia defendido a emenda do teto. Nenhuma surpresa, pois já como deputado Bolsonaro votou a favor desse imenso ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo pobre.

O presidente discursou nesta quinta-feira no lançamento do bizarro programa nacional das escolas cívico-militares. No evento, Bolsonaro afirmou que, para contornar o peso dos gastos obrigatórios, o governo deve atuar para que menos famílias dependam de auxílios como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ou seja, a resposta que Bolsonaro dá é querer cortar em mais direitos dos trabalhadores. Contudo, a dívida pública, que consome cerca de 1 trilhão de reais dos cofres públicos todos os anos, é para Bolsonaro algo sagrado, como para todos os governantes capitalistas. Dinheiro que vai direto para o bolso de milionários especuladores.

No dia anterior, 4, no entanto, Bolsonaro havia dado aval à proposta de mudança na emenda do teto de gastos. Ele orientou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a elaborar estudos para que ajustes sejam propostos ao Congresso, segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. Era, evidentemente, uma demagogia que não se sustentaria, como, aliás, nada que Bolsonaro diga a favor dos mais pobres.

O jornal O Estado de S. Paulo e o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) revelou que a Junta de Execução Orçamentária (JEO) discutiu mudanças no teto por pressão da Casa Civil e dos militares, mas Guedes rejeitou propor alterações. Bolsonaro, obediente, seguiu "a voz do mercado" (ou seja, as ordens dos capitalistas).




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