Política

IMIGRANTES VENEZUELANOS

Bolsonaro diz que ONU deve criar "campo de concentração" para imigrantes venezuelanos

Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República, já havia declarado que se for eleito, retirará recursos para a área de direitos humanos, e coroou sua semana com essa declaração xenófoba e absurda.

sexta-feira 24 de agosto| Edição do dia

O candidato à presidência pela extrema-direita, Jair Bolsonaro, destilou mais uma vez sua xenofobia em uma declaração absurda sobre a situação dos venezuelanos em Roraima.

Nesssa semana, um ataque brutal aos imigrantes venezuelanos ocorreu em Roraima, na cidade de Pacaraima, onde há fronteira entre Brasil e Venezuela. O ataque que resultou em diversas barracas e pertences dos imigrantes queimados, e obrigou centenas deles a retornarem correndo para o lado venezuelano da fronteira, despertou uma grande solidariedade em todo o país, e ao mesmo tempo uma grande revolta com a situação a qual esses imigrantes estão sujeitos.

Bolsonaro, que já havia declarado nessa semana que se for o presidente do Brasil, irá retirar investimentos dos direitos humanos, desta vez abriu a boca para destilar xenofobia, ao dizer que "o Brasil não pode ser um país de fronteiras abertas", e ainda pior, ao declarar que a ONU deveria criar campos de concentração para os refugiados e imigrantes que estão no Brasil.

A situação dos venezuelanos e das venezuelanas que imigram para o Brasil é bastante drástica. Buscando fugir da profunda crise econômica que fica cada vez mais aguda na Venezuela, uma crise de proporções históricas, gerada pela profunda subordinação ao capital internacional e principalmente ao rentismo petroleiro, a realidade encontrada pelos imigrantes no Brasil, que chegam em grande número no último período em Roraima, é de trabalhos precários, e uma condição de vida paupérrima na tentativa de poder enviar algum dinheiro aos familiares que ficaram na Venezuela, ou quem sabe, avançar para mais adentro do Brasil.

Os ataques xenofóbicos aos venezuelanos em Roraima escancaram a crise migratória, tanto aqui quanto na Venezuela, e deixam bem claro que a responsabilidade está nas mãos dos governantes, Temer e Maduro. Por um lado, um governo que ataca os trabalhadores venezuelanos até que seus salários sejam pulverizados e valham menos que 2 dólares por mês. Por outro, um governo golpista como o de Temer, que "abre as portas" para trabalhos extremamente precários para os imigrantes, com salários infinitamente menores do que recebem os brasileiros, e uma condição de vida degradante.

Declaracões como essas dadas por Jair Bolsonaro refletem o pensamento retrogrado daqueles que visam dividir a classe trabalhadora. Como dissemos na declaração do MRT, e da LTS em denúncia aos ataques criminosos em Roraima, "Os trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, negros, negras e jovens que militamos no Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) no Brasil, e a Liga de Trabalhadores pelo Socialismo (LTS) na Venezuela, integrantes da Fração Trotskista pela Quarta Internacional (FT-QI) chamamos a rechaçar fortemente todo ato de xenofobia, toda a ideologia reacionária que pretende dividir e enfrentar as forças da nossa classe e denunciamos as classes dominantes e os governos de nossos respectivos países, que descarregam o peso da crise e das injustiças habituais sobre os povos em ambos lados da fronteira, com sua carga de misérias, dramas e decomposição social."




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