Política

Bolsonaro, depois de falar em metralhar a Rocinha, projeta criar a “bancada da metralhadora”

Depois de alugar o Partido Social Liberal (PSL) para seguir seu carreirismo na política e se lançar como candidato à presidência, Bolsonaro esbanja mais uma vez seu reacionarismo prometendo transformar a “bancada da bala” na “bancada da metralhadora”.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 8 de março| Edição do dia

Com a filiação no PSL, Bolsonaro prometeu nesta quarta-feira (7) se empenhar em levar o maior número de militares ao Congresso. Uma tentativa do reacionário deputado em endurecer as leis penais, evitar o desarmamento e garantir maioria no Legislativo.

Durante cerimônia de filiação – no novo partido alugado – o deputado era interrompido na Câmara por gritos de “mito”, “messias” e “presidente”, pela plateia repleta de militantes de direita. Enquanto fazia seu discurso esbanjando reacionarismo prometia levar o maior número de integrantes das Forças Armadas para o Congresso para endurecer os ataques e repressão contra o povo pobre.

“A bancada da bala, chamada assim de forma jocosa, vai se transformar na bancada da metralhadora. ” Bolsonaro prometia, como numa plateia repleta de empresários no mês passado, “metralhar a rocinha” agora avança ainda mais com seu discurso de ódio contra os trabalhadores, negros e a população pobre quando projeta uma “bancada da metralhadora” para seguir ainda mais com o genocídio da juventude negra nas periferias do país.

Leia também: Família Bolsonaro pede que militares possam matar inocentes "em paz" na intervenção do RJ

Bolsonaro ainda afirmou que, caso seja eleito, deverá nomear para seu ministério da defesa o general Augusto Heleno Ribeiro, o mesmo responsável pelas tropas brasileiras no Haiti entre 2004 e 2005 que utilizou todos os métodos de guerra contra o povo negro haitiano, e que reivindicou para a intervenção no Rio de Janeiro os mesmos métodos que utilizou no Haiti. Além do mais, o mesmo general compartilha do ódio de Bolsonaro contra os indígenas e em 9 de maio de 2011, numa cerimônia no Quartel General do Exército em Brasília, passou para a reserva e defendeu a ditadura militar de 1964 após 45 anos de vida militar.

Na cerimônia de filiação esteve presenta 15 deputados e um senador, Magno Malta (PR-ES), chamado de “vice” pelos militantes. Bolsonaro focou todo seu discurso – como não poderia deixar de ser – no ódio contra os LGBTs, à esquerda e, para demarcar diferenças com Temer, pontuou algumas cínicas críticas de um falso moralista corrupto: “As malas dos porões do Jaburu, digo isso no duplo sentido, não podem continuar imperando no Brasil”. A referência a corrupção do governo federal feita pelo deputado federal não poderia ser mais demagógica vindo de um político claramente envolvido em casos de corrupção.

Na economia, o pré-candidato disse que, na primeira semana de governo, extinguirá um terço das estatais. Uma política claramente entreguista que busca privatizar tudo que tiver a vista no Brasil.

Esta filiação de Bolsonaro no PSL e seu lançamento como candidato à presidência com um discurso reacionário é a expressão mais nojenta desse sistema político degradado. Uma candidatura que, com seu falso moralismo, busca esconder a corrupção que envolve toda família Bolsonaro e que promete mais repressão e violência com um discurso de “segurança pública” que só serve para a democracia dos ricos em defesa dos poderosos, enquanto aprofunda os ataques contra os trabalhadores, os negros e o povo pobre, como vemos na reacionária intervenção federal no Rio.




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