Política

Bolsonaro, defensor do regime militar e da tortura, desmente "fixação pela ditadura"

quinta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Em mais uma declaração absurda do candidato reacionário do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse nas redes sociais na manhã desta quarta-feira, no mesmo dia que o seu filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro fez apologia a tortura nas redes sociais, disse que o povo quer saber de emprego e segurança e não das falácias sobre a ditadura militar. Em suas palavras ’’Enquanto insistem em falácias, rótulos e na fixação pela palavra ’’ditadura’’, são mais de 14 milhões de desempregados, cidadãos reféns em suas próprias casas, 60 mil homicídios e 50 mil mulheres estupradas por ano. É disso que o povo quer saber! É urgente! É daqui pra frente’’.

Com a transição lenta, gradual e pacífica que aconteceu no fim da ditadura militar para a democracia burguesa, encontramos resquícios da ditadura hoje no país. O reflexo disso hoje é o fato de que existe uma politização das forças armadas, boa parte expressa na candidatura de Bolsonaro, que para além de seu vice - General Mourão- possui mais uma dúzia de militares do alto escalão que já tem prometidos cargos em caso de sua vitória.

Bolsonaro quer passar um pano nos crimes que ocorreram na ditadura militar, crimes que já estão mais do que comprovados e que não são investigados devidamente, pois como o mesmo já declarou também: "a Lei da Anistia enterrou isso daí".

Para além disso, Bolsonaro faz demagogia sobre a questão dos empregos. Faz demagogia, pois já defendeu abertamente que ’’trabalhador deverá decidir por menos direitos e emprego ou mais direitos e desemprego’’. O candidato reacionário do PSL e seu posto Ipiranga, Paulo Guedes, defendem que milhões de trabalhadores se submetam ao emprego precário, por meio de sua proposta de "carteira verde amarela", e defende uma entrega generalizada das estatais nacionais, com a privatização de tudo.

Chega a dar ânsia de vômito ver o Bolsonaro falar de milhares de mulheres que são estupradas. O mesmo candidato que faz demagogia em relação a uma questão que aflige milhares de mulheres é o mesmo que falou para a deputada Maria do Rosário que não a estuprava porque ela não merecia, é o mesmo candidato reacionário que é contra discussão de Gênero nas escolas e a favor da Escola Sem Partido, projetos que apaga debates importantes na escola como a questão da mulher.

Sobre a questão da segurança, Bolsonaro defende que se criminalize mais a pobreza, ou seja mais autoritarismo. Na verdade trata-se de uma desculpa para querer aprofundar a repressão contra aqueles que se voltarão ao seu governo. Inclusive para aprofundar as medidas que Temer já vem iniciado, Bolsonaro precisa silenciar através da repressão aqueles que se mobilizam, contra ele.

Por tudo isso o questionamento contra Jair Bolsonaro, expresso pelo movimento #elenão e na convocação dos atos para o dia 29, não pode ser canalizado por um representante do "mal menor", que também terminará por aplicar os ajustes que o candidato reacionário defende. O questionamento a Bolsonaro tem que estar ligado ao questionamento aos golpistas e às medidas contra os trabalhadores. Não pode ser instrumentalizado também para o pacto que o PT está fazendo com os golpistas, e muito menos tem que servir de palanque eleitoral para uma mulher reacionária como Ana Amélia, que até alguns dias atrás estava no mesmo partido que Bolsonaro. Para isso, somente a organização das mulheres e trabalhadores de forma independente sem que fique a reboque de qualquer alternativa do tipo "mal menor", que termina por aceitar os ataques, pode se enfrentar até o final com o programa da extrema direita que Bolsonaro representa.




Tópicos relacionados

Mulheres Contra Bolsonaro   /    Eleições 2018   /    Bolsonaro   /    Política

Comentários

Comentar