Bolsonaro defende a volta da educação moral e cívica no currículo das escolas

quarta-feira 26 de setembro| Edição do dia

Bolsonaro disse que se eleito, a educação moral e cívica deve voltar. O seu vice, general Mourão disse que o objetivo é ensinar o civismo, o culto a pátria, por meio de hinos, símbolos como era na época da ditadura. É importante lembrar que na ditadura essa mesma matéria vinha para substituir sociologia e filosofia, e agora no momento em que vivemos, existe uma nova base (BNCC) e a reforma do ensino médio pronta para ser imposta, de forma completamente antidemocrática pelo governo golpista de Temer.

O que essa matéria representa?

Se hoje vemos que uma ameaça completamente reacionária vem tomando força na educação, principalmente quando falamos de currículo, ela não surge do nada. Quando a Dilma diminuiu o tempo do seguro desemprego, ela atacou diretamente a juventude trabalhadora que estuda e precisa trabalhar também, mostrando que o PT não liga de deixar os jovens sem condições para estudar, pois também a estrutura e condições para cumprir qualquer currículo necessita investimento, coisa que o PT ao pagar fielmente a dívida pública, se negou a fazer, o investimento do PIB nunca passou dos 6%.

Agora, quando o Bolsonaro fala de voltar a educação moral e cívica ele tá dizendo que quer forçar a juventude a obedecer o exército, já que sabe o potencial que ela tem de questionar as podridões do mundo, as injustiças sociais, a imposição da "ordem". Além disso, ele propõe também ampliar o número de escolas militares, fazer a militarização do ensino colocando o exército para dar aula.

Em outras palavras, ele quer transformar a escola em um quartel ou uma prisão, onde os alunos não possam pensar, falar ou se expressar, onde não haja outra ideia que não seja obedecer um ser humano do exército que não sabe absolutamente nada de educação, é essa escola que ele defende.

Outra proposta que ele faz é intervir na formação dos professores, reduzindo a relevância de estudos baseados em Antonio Gramsci e Paulo Freire, pois para ele esses autores são combustível para politização do ensino. Ao dizer isso, Bolsonaro tenta passar a velha ideia da direita que o Escola Sem Partido traz, como se ele próprio fosse neutro em relação a política, como se a escola fosse ou pudesse ser neutra, a questão é que a escola é um espaço para uma formação ampla, crítica, onde se possa ter conhecimentos variados que proporcionem a compreensão do mundo, só assim é possível formar sujeitos críticos.

Os professores tem variadas ideologias, o exército que ele quer colocar para dar aula tem uma bem específica, imposição de valores de nação, pátria, religião enquanto que matérias como história, sociologia, filosofia se depender da nova base não serão mais obrigatórias, é uma completa destruição de qualquer possibilidade de transformação que possa vir de uma juventude que sofre todos os dias com a miséria do capitalismo. Uma censura aos conhecimentos que foram construídos historicamente na humanidade e que portanto pertencem a cada aluno que passa pela escola pública.

A continuidade do golpe traz consequências sérias para educação, é preciso refletir sobre a força e tudo que a extrema direita representa, e como lutar contra isso, já que do outro lado, Haddad já deixou indicado que se eleito, vai governar com a direita e os golpistas. É preciso que em cada escola, universidade, locais de trabalho nos organizemos contra a extrema direita e os militares, as mesmas tropas que a mando de Lula foram pra Haiti e que lá estupraram as mulheres haitianas.




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