Política

DITADURA MILITAR

Bolsonaro chama o torturador Ustra de herói nacional

Em mais um episódio ultrajante, Bolsonaro mais uma vez defendeu o torturador Coronel Brilhante Ustra, que durante a ditadura foi responsável por comandar o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) onde foram torturados e mortos centenas de presos políticos.

quinta-feira 8 de agosto| Edição do dia

Foto: Fabio Pozzebon/Agência Brasil

Bolsonaro deve receber hoje a visita da viúva de Ustra ao meio-dia no palácio do planalto. Ao ser questionado por jornalistas, Bolsonaro afirmou que a viúva tem “histórias maravilhosas para contar” e se referiu ao torturador Ustra como “herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”.

Esse encontro acontece dias depois do presidente ter mentido sobre ao assassinato do militante Fernando Santa Cruz, pelos militares durante a ditadura. Bolsonaro também assinou no começo do mês um decreto, junto a ministra Damares, substituindo 4 membros da comissão da verdade, por membros do PSL e militares..

Bolsonaro já reafirmou várias vezes defender a tortura, além de ter dedicado seu voto pelo impeachment de Dilma Roussef ao infame torturador. “Pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”

Ustra foi o primeiro militar a responder processo por tortura. Foi denunciado por Criméia Alice Schmidt de Almeida, César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles, Janaína de Almeida Teles e Edson Luis de Almeida Teles (todos, com exceção da primeira, eram crianças na época da prisão de seus pais e foram mantidas no DOI-Codi presenciando a tortura dos pais), por exercitar violência e crueldade contra prisioneiros.

Também foi condenado pela morte do militante trotskista Luiz Eduardo Merlino. Merlino foi preso no dia 15 de julho de 1971. Havia voltado há 5 dias de uma viagem à França, para onde tinha ido a fim de estreitar contatos com a IV Internacional, em nome do POC, e participar do II Congresso da Liga Comunista, quando os policiais do DOI-CODI chegaram na casa da sua mãe, em Santos. Os policiais perguntavam com insistência e agressividade pela companheira de Merlino, Ângela Mendes de Almeida.

Luiz Eduardo Merlino foi duramente espancado em um pau de arara. O suplício de Merlino durou 24 horas. Pendurado de cabeça para baixo recebe descargas de eletrochoques. Abandonado à própria sorte em uma solitária, vítima de maus tratos por parte de médicos e enfermeiros, Merlino morreu em decorrência de uma gangrena causada pelas atrocidades físicas que lhe foram infligidas.

Em 2012 Ustra foi condenado a indenizar a família de Merlino. No entanto, em 2018 o judiciário, em medida absurda e autoritária reverteu em 2ª instância o julgamento do caso Merlino.

Saiba mais: VÍDEO: Angela Mendes de Almeida fala sobre o assassinato de Luiz Eduardo Merlino

Bolsonaro, ao se referir ao torturador como herói nacional, cospe na história de luta dos trabalhadores. Com isso tenta impor a sua versão da história para impor uma derrota a classe trabalhadora e assim atacar ainda mais nossos direitos.

Exigimos a revogação da Lei da Anistia com o julgamento e punição de todos os responsáveis civis e militares pelos crimes ditadura. Pela abertura irrestrita de todos os arquivos e documentos ocultos sobre os crimes da ditadura militar. Justiça a todos os mortos e desaparecidos!




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