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Bolsonaro chama contrários a ele de idiotas, marginais e viciados

Em mais uma live direcionada a sua reacionária base, Bolsonaro recua e não encoraja seus seguidores a irem em atos, ao mesmo tempo que ofende os setores que estão protestando frente a situação calamitosa que o país vive.

sábado 6 de junho| Edição do dia

Imagem: MARCELO G. RIBEIRO/ARQUIVO/JC

No marco do início de diversas manifestações que venham denunciar o racismo e a violência estatal, assim como os diversos elementos fascistizantes do discurso de Bolsonaro e de seus apoiadores, na última quinta-feira, 04/06, o presidente realizou uma live tratando dos recentes atos que vem se expandindo nacionalmente, dedicando-se a atacar os manifestantes por via de seus comentários ofensivos e odiosos. Porém, tal atitude não foi o suficiente para se inflamar e chamar a sua covarde base de apoiadores a organizar atos nesse final de semana, pelo contrário. O mesmo pediu para que tais setores não saiam as ruas nesse domingo, frente a força da população que vem se levantando para denunciar o racismo e a extrema-direita.

Ao longo da transmissão, o mesmo reivindicou os métodos avaliativos do ENEM, que, desde seu governo, vem passando por várias denúncias de irregularidades, para menosprezar as pessoas que vem se ativando nesse processo:

“Se você pegar cem desses aí, a maioria é estudante. Se você pegar e aplicar a prova do Enem neles, acho que ninguém tira cinco. Não sabem interpretar um texto, não sabem nada. São uns idiotas que não servem para nada”

Seguimos com outras declarações absurdas como que apenas consideram o intuito dessas manifestações como “quebra-quebra”, como se tal reação fosse algo totalmente gratuito e não fruto de uma situação absurda onde convivemos com uma polícia violenta que oprime as pessoas, sobretudo os negros e negras, independentemente de fazerem “quebra-quebra” ou não, ou mesmo considerando que a juventude indignada e que possui uma perspectiva de futuro cada vez mais precária, enquanto um “idiota-útil” e massa de manobra para esse movimento.

Não obstante, o mesmo, reafirmou o seu perfil reacionário ao taxar organizações como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) enquanto terroristas, lamentando não ter avançado para que essa categoria não fosse aplicada legalmente. Enquanto o mesmo possui um suporte de donos de terra que aterrorizam militantes que lutam contra a reforma agrária e a população indígena.

Frente a esses exemplos, mais do que nunca é necessário apontar uma saída que questione mais de fundo essa crise e todos os elementos reacionários, não só manifestados explicitamente por Bolsonaro, mas intrínsecos ao Capitalismo e da degeneração do nosso regime. Se Bolsonaro a todo momento coloca como esse movimento quer acabar com a liberdade das pessoas, que nós denunciemos os atos verdadeiramente anti-democráticos que querem acabar com as liberdades mínimas conseguidas desde a redemocratização, assim como todas declarações elogiosas de seu gabinete militar e de seu vice Mourão, referentes a ditadura; se Bolsonaro alerta sobre a influência de “agitadoras profissionais”, que sejamos nós que gritemos contra todo o seu aparato de “fake news” enquanto um dos pilares da sustentação de sua candidatura e de suas políticas.

Com esse cenário que convocamos todos e a todas para formarem um grande ato nesse domingo, alçando um programa que lute pelo Fora Bolsonaro e Mourão, sem demonstrarmos nenhuma confiança nos demagógicos governadores como Dória e Witzel que vem reprimindo as últimas manifestações desde a PM e sendo responsáveis pelo assassinato de tantos negros e negras no país, nem no autoritário STF que foi cumplece ou principal agente de diversos retrocessos democráticos nos últimos anos, ou mesmo em Maia e no Centrão, que seguem perpetuando seus privilégios as cutas do povo trabalhador. Nosso programa deve ser independente e se essas manifestações antifascistas e antirracistas seguem explodindo nacionalmente, é de extrema importância a propositiva não só da saída desses governantes, como a mudança das regras do jogo, desde a luta por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, onde o povo possa decidir as mudanças mais profundas que percorreriam a situação nacional, ao mesmo tempo que tal processo, só pode ser imposto desde o avanço da luta e da consciência dos trabalhadores, por meio da auto-organização destes em todos os locais de trabalho e da unidade de suas fileiras para fortalecer cada vez mais essa luta.




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