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Bolsonaro busca trazer tranquilidade pelo coronavírus, enquanto seu governo ataca a saúde

O presidente fez uma transmissão nas redes sociais buscando esclarecer dúvidas sobre sua saúde. O governo anunciou medidas, mas mantendo o ajuste fiscal. Bolsonaro, com muito cinismo e buscando isentar o governo de suas responsabilidades com a saúde pública da população, chegou a declarar que "se todo mundo tomar um cuidado especial consigo próprio, dá para levar a vida com normalidade".

sexta-feira 13 de março| Edição do dia

Nesta quinta-feira, 12, Jair Bolsonaro apareceu vestindo uma máscara juntamente com seu ministro da Saúde, também protegido por uma máscara, em uma transmissão ao vivo no Facebook. Na live, ele garantiu que ainda não sabe os resultados do teste ao qual foi submetido para saber se está infectado com o coronavírus.

A preocupação com um possível contágio de Bolsonaro surge depois que se tornou conhecido que Fabio Wajngarten, secretário de comunicação de Bolsonaro, foi infectado com o vírus depois de voltar de uma viagem a Miami que ele fez com o presidente e parte de sua equipe.

"Nas próximas horas teremos meus resultados e mais pessoas", disse o presidente, que se referiu ao caso positivo de Fabio Wajngarten, que está em quarentena.

"Estou usando uma máscara porque, em minha recente viagem aos Estados Unidos, uma das pessoas que vieram à minha comitiva deu positivo", acrescentou, e depois anunciou um item de orçamento especial para lidar com a emergência no sistema de saúde pública do país.

Mas, além do anúncio de Bolsonaro, o sistema de saúde brasileiro está passando por um forte ajuste orçamentário. Segundo informações do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a Emenda Constitucional 95/2016, aprovada após o golpe institucional que derrubou Dilma Rousseff, estabelece um limite para investimentos nas áreas de saúde e educação para o período que decorre a partir de 2018 até 2036, gerando uma perda no orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) de mais de 400 bilhões de reais até 2036.

Veja mais: É urgente derrubar a Lei do Teto dos Gastos para enfrentar a crise do coronavírus

Seus efeitos são sentidos no cotidiano da classe trabalhadora, que sofre com as péssimas condições dos serviços públicos de saúde, algo que tende a se intensificar ainda mais diante da crise do coronavírus.

O Secretário Especial da Fazenda de Bolsonaro, Waldery Rodrigues Junior, garantiu nesta quinta-feira que as medidas tomadas pelo governo "estão de acordo com o zelo fiscal. Vamos cuidar de que as medidas sejam temporárias". Bolsonaro, com muito cinismo, buscando isentar o governo de suas responsabilidades com a saúde pública da população, chegou a declarar que "se todo mundo tomar um cuidado especial consigo próprio, dá para levar a vida com normalidade".

A Emenda Constitucional 95/2016 foi uma das primeiras políticas importantes de ataques contra trabalhadores, aprovada por Michel Temer após o golpe institucional em 2016.

Bolsonaro passou de tratar as notícias sobre o coronavírus como invenções e a campanha na mídia, ao anunciar medidas que buscam evitar um maior impacto da crise na economia brasileira, como uma medida provisória de liberar R$ 5 bilhões para a saúde. Essas medidas temporárias buscam descartar os efeitos imediatos da crise, mesmo sabendo que não são suficientes pois não oferece medidas básicas para o conjunto dos trabalhadores, como o direito de ninguém ser demitido caso seja infectado pelo vírus, e mantém o ajuste que afeta a saúde pública e a vida de milhões de pessoas que sentirão os impactos da expansão desse vírus.

Em alguns lugares do mundo é bem visível como o vírus afeta principalmente a classe trabalhadora. É possível ver isso nos EUA, onde é preciso US$ 1000 para fazer um exame para ver se possui a doença ou não, ou na Itália, onde foi declarada quarentena, mas diversas fábricas continuaram funcionando, o que gerou manifestações e greves de trabalhadores reivindicando seu direito à saúde.

No Brasil não é diferente, e é possível ver isso com o fato das propostas de fechamento de escolas (como ocorre em Brasília, e outros Estados) ou de adiantamento das férias letivas, que deixarão os trabalhadores sem ter com quem deixar seus filhos quando forem trabalhar. Frente a isso temos que exigir licenças remuneradas a todas as famílias trabalhadoras que tem menores a seu encargo.

Da mesma maneira é possível ver quem é mais afetado com o coronavírus com o fato de trabalhadores terceirizados das universidades que suspenderam suas aulas, como a Unicamp, terem que continuar trabalhando mesmo com a universidade inteira suspensa, o que é um verdadeiro absurdo. É preciso que todos sejam liberados com direitos garantidos, licença remunerada, e nenhuma demissão.

Veja mais: Unicamp suspende aulas por causa do Coronavírus: liberação das terceirizadas já!

Para se enfrentar com a doença e suas consequências, não basta somente liberar uma verba emergencial para a investimento em saúde, como o governo declarou que irá fazer diante da crise. É preciso acabar com o congelamento dos gastos na saúde pública, mediante o não pagamento da dívida pública e a taxação das fortunas das empresas farmacêuticas que lucram com essa crise.




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