VENEZUELA

Bolsonaro auxilia golpismo de Trump e anuncia sanções econômicas contra Venezuela

quinta-feira 7 de março| Edição do dia

A visita de Juan Guaidó, fantoche de Washington, a Jair Bolsonaro, colheu seus frutos. O presidente de extrema direita no Brasil se ajoelha diante das exigências dos Estados Unidos para aplicar sanções econômicas à Venezuela, no intuito de favorecer um golpe militar norte-americano no país vizinho.

Segundo fontes do governo, Bolsonaro trabalha na elaboração de um decreto ou projeto de lei que tornará automática a aplicação de sanções, como o bloqueio de bens de pessoas físicas e empresas que mantêm relações com o regime venezuelano. De acordo com fontes da área diplomática, a medida é necessária porque a legislação nacional atualmente só admite medidas punitivas que sejam decorrentes de decisões tomadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em sua estadia no Brasil, Guaidó havia conversado com Bolsonaro para que o capacho presidente brasileiro congelasse os ativos da PDVSA (empresa petrolífera donde provém o grosso da renda estatal venezuelana) e tranferisse a posse dos bens venezuelanos depositados no Brasil ao próprio Guaidó, além de medidas tais como o impedimento da entrada de certas figuras do regime de Maduro no país. Tudo, tal como mandou o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, no Grupo de Lima.

Cheio de amor pelos "direitos humanos" e pela "democracia", Bolsonaro, logo após ter homenageado no Paraguai o ditador e torturador Alfredo Stroessner - vinculado a inúmeros casos de corrupção e crimes de lesa humanidade numa das ditaduras mais sangrentas da América Latina - aceitou ampliar as sanções econômicas, que tornarão ainda mais graves as penúrias vividas pelo povo venezuelano, imerso numa situação econômica e social catastrófica fruto da política autoritária de Nicolás Maduro e do chavismo. Trump já havia imposto novas sanções à PDVSA, mostrando que também não tem nenhum interesse nos "direitos humanos" do povo trabalhador venezuelano.

Veja aqui: Guaidó visita Bolsonaro: golpistas se reúnem em prol da intervenção dos EUA na Venezuela

Bolsonaro imita no que pode os passos de Trump, certamente com uma preocupação: como melhor servir o amo do norte. Cumpre lembrar que pela primeira vez um militar brasileiro fará parte do corpo de comando do Comando Sul, um organismo que defende os interesses dos EUA na América Latina. Não à toa, John Bolton, assessor de segurança nacional de Trump, explora caminhos para transformar o Brasil numa nova Colômbia, completamente submissa aos desígnios de Washington.

Na próxima semana, em um encontro entre representantes dos BRICS (fórum formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Curitiba, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, vai aproveitar a oportunidade para tentar "convencer os integrantes do bloco a retirarem o apoio a Maduro". Rússia e China, regimes autoritários capitalistas com altos negócios na Venezuela, terão a oportunidade de jogar água fria na cabeça do pobre chanceler brasileiro.

Repudiamos o papel reacionário de Bolsonaro na crise venezuelana, tanto com as provocações que encenou na fronteira no 23F, quanto com as sanções econômicas que planeja sobre o regime venezuelano.

Rechaçamos a ofensiva imperialista dos Estados Unidos na Venezuela, parte de sua ofensiva de recolonização sobre toda a América Latina, sem que isso implique qualquer apoio político ao regime de Maduro, que é incapaz de enfrentar a política de intervenção dos EUA. As políticas autoritárias e catastróficas de Maduro são completamente anti-operárias, incrementam a repressão das Forças Armadas sobre a população pobre, sendo o verdadeiro responsável pelo fortalecimento da direita golpista no país.

Veja também: Chamamos o PT e o PSOL a organizar um grande ato contra a intervenção imperialista na Venezuela

A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina, encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores pelo Socialismo (PTS), realizou um grande ato na embaixada dos EUA em Buenos Aires, em repúdio à interferência norte-americana na Venezuela. Tomando o importante exemplo da esquerda argentina, renovamos o chamado ao PT e ao PSOL, assim como às centrais sindicais como a CUT e a CTB, a organizar um grande ato unificado em repúdio à política de Trump e à tentativa de golpe na Venezuela.




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