Economia

GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro amplia seu entreguismo ao contrair empréstimo externo desnecessário

Ministério da Economia planeja contrair mais de 20 bilhões de reais em empréstimos externos para financiar projetos sociais.

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

Segundo um documento do Ministério da Economia ao qual o jornal Estado de São Paulo teve acesso, o governo federal deve pedir um empréstimo de cerca de US$ 4,1 bilhões, equivalente a mais de 20 bilhões de reais na cotação atual.

O dinheiro seria utilizado para financiar programas como a renda básica emergencial, a expansão do Bolsa-Família, o programa de Manutenção do Emprego e da Renda e para o pagamento do seguro-desemprego.

Os credores seriam diversos organismos multilaterais, divididos da seguinte maneira: US$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento; US$ 1 bilhão do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); US$ 1 bilhão do New Development Bank; US$ 420 milhões do KfW Entwicklungsbank; US$ 350 milhões da Corporação Andina de Desenvolvimento; e US$ 240 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento.

A própria decisão de contrair dívidas em moeda externa neste momento já é, por si, bastante discutível. O dólar, mesmo que tenha caído nos últimos dias, tem vindo em uma trajetória de alta no ano e é um mercado altamente volátil, podendo começar a subir, o que multiplicaria a dívida brasileira. Além disso, o Brasil possui cerca de US$ 340 bilhões em reservas internacionais, e nossa dívida externa líquida é negativa. Seria viável vender um valor como US$ 4 bilhões destas reservas para financiar essas despesas, que são importantes. Outra opção seria contrair empréstimos internos.

É importante notar também quem são as instituições que vão emprestar para o governo federal. O BIRD faz parte do Banco Mundial, uma importante instituição da ordem econômica criada depois da Segunda Guerra Mundial. Segundo seu próprio site, ele oferece crédito e “aconselhamento” para países de baixa e média renda. Controlado pelos Estados Unidos, é bem claro que aconselhamento é esse. Ao longo das décadas, seus empréstimos, assim como os do FMI, comumente continham contrapartidas que incluíam maior liberalização da economia e aceitação de maior influência americana.

Desta maneira, o governo Bolsonaro amplia seu caráter entreguista, contraindo um empréstimo externo que terminará por transferir renda do Brasil para setores da burguesia internacional. Por isso, deve-se levantar o não pagamento da dívida pública enquanto parte de um programa para enfrentar Bolsonaro, Mourão e os militares e para garantir a sobrevivência dos trabalhadores brasileiros em meio a pandemia e a crise econômica.




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