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Bolsonarista “fantasia” filho de escravo para festa de Halloween na escola

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 30 de outubro| Edição do dia

Nesta segunda-feira (29), uma mãe bolsonarista fantasiou o filho de 9 anos como escravo para a festa de Halloween de uma escola de classe média alta em Natal, no Rio Grande do Norte. Ela publicou fotos do garoto nas redes sociais, durante a tarde, e as imagens causaram grande revolta na internet contra a atitude racista. A publicação foi apagada do perfil dela.

No nível mais nojento de blackface, ela pintou o garoto, maquiou ele com "marcas" de chicotadas e o cobriu com roupas brancas e correntes para representar a época mais revoltante da História do Brasil, o período de escravidão. Como se não bastasse, a legenda da foto era: "Quando seu filho absorve o personagem! Vamos abrasileirar esse negócio!”.

No Twitter, ela escreveu a seguinte mensagem: "Ñ leiam livros d História do Brasil. Eles dizem q existiu escravidão d negros no país, mas isso é mentira. Ñ discuta com essa afirmação, pois vc estará sendo racista, A PIOR PESSOA, um lixo Só ñ entendi ainda se o problema foi a fantasia ou o ’17’ na foto".

A escola emitiu uma nota e afirmou que a instituição não compactua com expressões de racismo ou preconceito.

Esse absurdo ganhou grande repercussão nas redes sociais. O rapper Marcelo D2 comentou: "Quando vc pensa q já viu de tudo na vida".

Mas antes da repercussão de revolta, seguidores da mãe elogiaram a "criatividade" da fantasia. "Perfeito", disse uma amiga. "Você não existe! Muita criatividade", disse outra.

No entanto, apesar da postagem ter sido apagada após a repercussão de indignação, prints da publicação passaram a circular na internet e vários usuários de redes sociais passaram a criticar a mulher, em outras postagens de suas redes sociais: "Usando o sofrimento do meu povo como tema de fantasia", comentou um usuário. "Moça, eu acredito que a senhora não tenha dimensão do q está fazendo.Mas isso não é uma brincadeira, é um desrespeito enorme com a história e com aqueles que morreram e deixam um legado de dor aos seus descendentes que batalham todo dia para fechar essas feridas", disse outra internauta.

Em tempos de Bolsonaro, que afirma considerar quilombolas enquanto coisas, desumaniza um povo ao dizer que “não servem nem pra procriar”, temos que construir uma forte resposta para combater o racismo e a extrema direita. Quando um programa escravista está apontado para a têmpora dos trabalhadores e do povo pobre, o que há de mais escória reacionária na nossa sociedade ganha respaldo.

Por isso, é preciso organizar uma forte resposta para combater esses ataques e agressões que estes setores racistas estão se sentindo à vontade em cometer. É necessário estruturar comitês de luta em todos os locais de trabalho e estudos e ir às ruas, mostrar nossa força de combate ao fortalecimento da extrema-direita e vingar Marielle, Mestre Moa, Laysa, Karolyne e Charlione.




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