Educação

ATAQUE À PESQUISA

Bolsas CNPq e Capes estão na mira de novos cortes, segundo G1

Após revisar para baixo, novamente, a expectativa de crescimento do PIB, o ministério da economia anunciou cortes aproximados de R$1,44 bilhões de gastos do orçamento. Bolsonaro deve anunciar ao fim do mês pastas mais afetadas.

terça-feira 23 de julho| Edição do dia

Com economia patinando, e sem chances de recuperação, governo Bolsonaro anuncia novos cortes bilionários

O ministério da Economia anunciou, na última segunda feira (22), um novo corte às despesas desse ano. O orçamento, mais uma vez, foi reduzido, dessa vez, em R$1,44 bi. O corte acompanha o anúncio do ministério, no recente relatório do orçamento do terceiro bimestre, de que a expectativa de crescimento da economia para esse ano foi reduzida novamente-

Os cortes têm por objetivo manter a capacidade do governo de atingir a meta de déficit primário, fixa para este ano em R$139 bi.

Segundo o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia de Paulo Guedes, Waldery Rodrigues, o governo deve anunciar no final do mês que áreas serão mais afetadas. Mas Bolsonaro já havia anunciado, no final de semana que o corte deve atingir prioritariamente uma só pasta.

Um dos grandes culpados dos sucessivos cortes, além do fraquíssimo crescimento da economia (que até analistas "pró mercado" do governo já admitem que não será em grande medida alterado com a aprovação da nefasta Reforma da Previdência) é a chamada Emenda Constitucional do Teto de Gastos, herança (maldita) do governo golpista de Temer. Com a limitação por cima do quanto a União pode gastar com despesas não "obrigatórias" (os chamados gastos discricionários), o limite das despesas do governo diminuiu, só no último ano, de R$129 bi para R$87,41 bi.

O corte anunciado é só mais um, em uma longa sequência de anúncios do governo de reduções em áreas importantes do país para reverter toda a arrecadação do governo para a espoliação dos banqueiros nacionais e internacionais, na forma do pagamento religioso da ilegal, ilegítima e fraudulenta dívida pública. Na ofensiva, o governo aprofunda ataques contra a educação pública, seguindo seu projeto de elitização e restrição e privatização do ensino superior. Devido a cortes anunciados há alguns meses, várias universidades já anunciaram que não poderam manter as portas abertas até o final do ano.

Entre os mais afetados, também estão as bolsas de pesquisa e pós-graduação concedidas pela Capes e CNPq, e os ataques à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologia tendem a se aprofundar, com o fortalecimento do governo para seu projeto de educação tecnicista e subordinado à mercantilização e ao capital financeiro. E como mostra a matéria do G1 estão cotadas como uma das áreas mais favoráveis para esse novo corte anunciado.

O governo Bolsonaro, agora fortalecido com a importante vitória que foi, para ele, a aprovação da Reforma da Previdência em primeiro turno na câmara (que passou sem oposição forte, por culpa da paralisia imposta às grandes centrais sindicais e estudantis por suas direções) agora busca avançar ainda mais em seu projeto de salvar e ampliar os lucros capitalistas às custas da precarização do trabalho e da vida da enorme maioria da classe trabalhadora, em especial a juventude pobre e negra.

Isso passa por sua ofensiva de desinvestimento contra qualquer migalha de soberania nacional, agora reiterada com o programa Future-se, e sua entrega ao capital privado.

Enquanto isso, segue crescendo a dívida pública, que não é atingida pela teto de gastos e - benéfica somente para os grandes capitalistas e banqueiros - é a grande ladra de mais de metade do orçamento nacional.

É por isso que, frente aos sucessivos ataques do governo contra a vida e o futuro da classe trabalhadora, o movimento estudantil, assim como o conjunto da classe trabalhadora, não podem aceitar calados a chantagem de que "é necessário cortar despesas e atacar a previdência para garantir o equilíbrio fiscal". O desmonte promovido pelo governo Bolsonaro é parte de um projeto de salvar os capitalistas da crise que eles mesmos criaram, despejando-a nas costas da classe trabalhadora, enquanto segue enriquecendo o capital financeiro! A organização, desde baixo, lutando de maneira irreconciliáveis contra aqueles que querem entregar nosso futuro, pode barrar todos os ataques, tanto à educação como à Previdência, e impor que sejam os capitalistas que paguem pela crise!

Leia também: Não precisamos de reforma da previdência: é necessário abolir a dívida pública!




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