Internacional

PRESOS POLÍTICOS NA BOLÍVIA

Bolívia: liberdade para Violeta Tamayo e Carlos Cornejo

Em uma manifestação de solidariedade às mulheres de Achacachi (La Paz, Bolívia), a polícia prendeu violentamente Violeta Tamayo, militante do Pão e Rosas Bolívia, e Carlos Cornejo, estudante e militante da agrupação Outubro, ambos jornalistas do La Izquierda Diario Bolívia. Hoje mobilizam-se pela liberdade deles.

terça-feira 19 de setembro| Edição do dia

Em 18 de setembro, enquanto a polícia reprimia o povo de Achacachi que estava bloqueando estradas, se realizava uma vigília de mulheres do mesmo município nas mediações do Tribunal de Justiça na cidade de La Paz.

A polícia enviou um contingente de dezenas de tropas que superavam o número de mulheres que estavam concentradas e desencadearam a repressão para "despejá-las".

Desde segunda-feira (18), após a repressão, se encontram detidos nossos camaradas Violeta Tamayo, jornalista do La Izquierda Diario Bolívia e dirigente do Pão e Rosas, e Carlos Cornejo, militante da corrente estudantil Outubro da Faculdade de Direito da UMSA junto a outro jovem, Daniel Lozano, do grupo Nos Nos Madrugan.

Violeta se encontrava cobrindo e transmitindo ao vivo para La Izquierda Diario os fatos antes da intervenção policial contra as mulheres de Achacachi.

Foi perante a brutal repressão da polícia que os jovens reagiram em apoio às mulheres e, por essa razão, foram espancados e violentamente detidos para em seguida serem transferidos para as celas da FELCC (Força Especial de Combate contra o Crime) da Avenida Sucre.

A justiça quer incriminar Violeta Tamayo e Carlos Cornejo por terem "agredido" dois policiais, quando todas as imagens amplamente difundidas por diferentes meios de comunicação nas redes sociais comprovaram o contrário. Daniel Lozano, acusado de causar distúrbios, seria libertado nesta terça (19).

A acusação contra Violeta Tamayo e Carlos Cornejo mostra a tentativa deliberada por parte do governo, através da Polícia, de intimidar aqueles que lutam.

Nas imagens que acompanham este artigo, pode-se ver claramente que aqueles que exerceram violência e abuso de poder são os policiais contra três jovens da imprensa e estudantes, que hoje são acusados de agressão. Deram a nossa companheira Violeta 6 dias de impedimento conforme verificamos no certificado de considerações médico legais. Como puderam agredir policiais armados pessoas que estavam tirando fotos e filmando?

A urgente necessidade de organizar e unificar as lutas

O cenário aberto mostra mais do que a urgente necessidade de organizar e unificar as lutas em curso com os setores mobilizados de Achacachi, TIPNIS (Territorio Indígena y Parque Nacional Isiboro Sécure), juntamente com a COB e os setores que estão se afastando do governo e dos demais partidos patronais que não hesitam nem um segundo em reprimir o povo trabalhador para preservar seus interesses de classe.

Devemos nos organizar de forma independente porque é a única forma de golpear conjuntamente o governo e seu aparelho de repressão que cada vez mais violam com maior impunidade nossos direitos. Nesta terça, 19 de setembro, a COB se mobilizará em apoio as lutas dos povos de Achacachi e TIPNIS e contra a repressão, esta é uma oportunidade para se unificar, convocar e coordenar todos os setores em luta. Que esta convocatória seja um passo importante para a organização de todos os setores que começaram a tomar em suas mãos a luta por seus direitos.

Convocamos assim à solidariedade e a mobilizarmos para a libertação e a retirada dos processos de Violeta Tamayo, Carlos Cornejo e Daniel Lozano. Mas também pela liberdade das dezenas de achacacheños e achacacheñas que também foram presas e serão processadas. No momento em que redigimos esta nota se confirmam a prisão e a transferência de 11 achacacheños para a prisão de Patacamaya.

Chamamos a pronunciarem-se todos os setores de trabalhadores, sindicatos, magistérios, universidades, intelectuais e outras organizações e coletivos:

Pela liberdade imediata e retirada de todos os processos de nossos companheiros!
Liberdade para os presos de Achacachi!
Abaixo a intimidação e a perseguição!
Pelo direito à liberdade de expressão!

As lutas em curso e a volta reacionária e opressiva do governo de Evo Morales

Na Bolívia, nos últimos meses, tem havido um crescente clima de tensão com as medidas cada vez mais antipopulares do governo de Evo Morales e do MAS contra os direitos dos indígenas, camponeses e trabalhadores do país. São dois os principais focos de tensão que provocaram um clima de mobilização pelo qual o governo recorre a métodos cada vez mais violentos de repressão e intimidação para silenciar qualquer um que se atreva a lutar pelos seus direitos.

Um desses conflitos é a luta pelo direito à autodeterminação dos povos indígenas do Território Indígena e do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS). Este território que era protegido por ser declarado como um patrimônio intangível foi uma conquista arrancada do governo após as mobilizações, marchas e toda a luta que deram de conjunto os indígenas e que alcançaram uma grande adesão da população.

No entanto, apesar de tudo isso, e sem esquecer a repressão brutal em Chaparina em 2013, o governo volta a atacar vulnerabilizando os povos indígenas mais uma vez e atirando com impunidade ao lixo todo seu discurso demagógico indigenista de "vivir bien" e de direitos da “madre tierra”, estabelecendo arbitrariamente a revogação da Lei nº 180 que protegia a intangibilidade do Território Indígena e do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS).

O outro cenário de conflito é a luta do povo de Achacachi contra os casos de corrupção de seu prefeito, Edgar Ramos, pertencente ao MAS. Eles vêm, por várias semanas, exigindo a destituição e renúncia deste prefeito para o qual vieram se mobilizando com bloqueios de estradas, marchas, vigílias e manifestações na cidade de La Paz. Para essa demanda, os moradores de Achacachi também exigem a libertação de um dos seus líderes, Esnor Ramos entre outros pontos na qual a consigna principal é que Achacachi toma em suas mãos a luta contra a corrupção.

Tradução: Jonas Pimentel




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