Internacional

Bolívia: "Os trabalhadores devem recuperar as ferramentas de organização das mãos da burocracia, recuperar o melhor da tradição do movimento operário"

Desde a Bolívia, Violeta Tamayo militante da LOR-CI (Liga Obreira Revolucionária) fala sobre qual é o caminho que os trabalhadores bolivianos precisam seguir para derrotar a burocracia sindical que permitiu que o nível dos ataques aumente a cada dia, e a importância do internacionalismo nesse primeiro de maio.

Zuca Falcão

Professora da rede pública de MG

sexta-feira 1º de maio| Edição do dia

Violeta que é cientista política e integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas, abre sua intervenção no ato internacional da FT – Fração Trotskista pela Quarta Internacional – que acontece simultaneamente em 14 países, falando sobre o golpe acontecido no país no final de 2019.

Em novembro do ano passado, setores de extrema direita, juntamente com setores religiosos e empresariado, e apoiados pelo imperialismo e pelo exército boliviano, forçaram a renúncia do ex-presidente Evo Morales do MAS e autoproclamaram um governo provisório liderado por Jeanine Añez. Mas apesar do caráter extremamente racista do golpe, Evo e seu partido MAS, que se denominam a favor dos indígenas - que representam a grande maioria da população, não organizaram uma luta séria contra os golpistas e a principal central sindical do país, a COB (Central Obreira Boliviana), dirigida pelo MAS, colaborou para o golpe em troca de uma localização no novo governo.

O mundo assistiu a dura repressão a qual foram submetidos aqueles que resistiram ao golpe, muitos pagando com a própria vida. Famílias das localidades de Senkata, El Alto e Sacaba, foram exemplo de luta contra o golpismo racista de Camacho e seus amigos. O Esquerda Diário Bolívia, que é parte da rede internacional de diários da FT, que está presente em 14 países e em oito idiomas, foi fundamental para furar o cerco da grande mídia que buscava esconder as atrocidades cometidas pela polícia e exército, através de denúncias. A LOR-CI se juntou às famílias e ao movimento, apoiando e somando suas vozes aos gritos de “nossos mortos não se negociam!”.

A situação que já estava ruim no país piorou após a pandemia, conforme diz Violeta:

“Nosso país viu a pandemia se mesclar a essa crise política, o que aumentou os níveis de repressão no país, exposta em fatos como a militarização constante, como a criminalização dos setores mais pobres, como o aumento da perseguição política e a grande diminuição da liberdade de expressão. A luta contra a pandemia, sem testes, sem condições de vida ou segurança foi reduzida a nada mais que o isolamento social garantido pelas forças armadas e a polícia.”

Diante dessa crise os trabalhadores da Bolívia, em sua grande maioria já precarizados e com uma taxa de quase 70% trabalhando na informalidade, sem direitos e garantias, se encontram em situação ainda pior diante da militarização que impede o funcionamento das grandes feiras espalhadas pelo país, de onde sai o sustento da maioria esmagadora da população, e tendo como recurso para sobreviver apenas uma ajuda absurda do governo num valor equivalente a cerca de 200 reais.

Toda essa situação aprofundada pela extrema direita golpista, teve o caminho aberto pelo MAS durante os anos de governo de Evo Morales que escancarou as portas do país para o capital imperialista e desmontou ao máximo possível o movimento operário através de suas burocracias sindicais, como forma de impedir a revolta dos trabalhadores contra o governo que prometeu um profundo processo de mudança mas entregou um caminho aberto para o saqueio do recursos naturais do país, minando a fonte que poderia dar a população boliviana condições dignas de vida com saúde, educação, lazer, moradia.

Os trabalhadores bolivianos não podem seguir vivendo sob as condições precárias e os ataques que impõe o governo golpista autoproclamado. É preciso resgatar a moral, os métodos e a coragem dos mineiros da revolução de 1952, dos moradores de El Alto durante a Guerra do Gás de 2003 e de cada trabalhador que já entregou sua vida na luta contra a classe burguesa que só oferece, na Bolívia e no mundo, miséria e exploração. E por isso, Violeta termina sua intervenção com a emocionante conclusão:

“Hoje temos a enorme tarefa de tirar lições não apenas desse último período, mas também dos 14 anos do governo do MAS para construir assim uma ferramenta política que consiga terminar definitivamente com a exploração, com o machismo e o racismo, o que para nós significa semear uma sociedade socialista. E essa ferramenta, acreditamos, é a IV Internacional. Este ato, companheiras e companheiros, representa para nós um passo das trabalhadoras, dos trabalhadores, das mulheres e da juventude para construir esse caminho e rumar para nossa emancipação. Lhes mandamos uma saudação revolucionária e dizemos junto a vocês: viva o 1 de maio e viva a classe trabalhadora!”




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