Internacional

CORONAVÍRUS E O GOLPISMO

Bolívia: Massas de setores populares em marcha contra as políticas de Áñez

Milhares de trabalhadores, trabalhadoras e setores populares desceram de El Alto até o centro de La Paz em uma marcha multitudinária chamada pela Central Obrera Boliviana (COB) pela “saúde, a educação, a estabilidade no trabalho e a vida”.

quinta-feira 16 de julho| Edição do dia

Na terça-feira ocorreu uma marcha de El Alto até La Paz pela “saúde, a educação, a estabilidade no trabalho e a vida”, contra as políticas do autoproclamado governo de Áñez e das empresas privadas, que vêm deixando centenas de famílias trabalhadoras na rua em plena pandemia.

Chamada pela Central Obrera Boliviana, a mobilização aconteceu pela manhã e chegou até o centro de La Paz, paralisando tudo com a presença de aproximadamente 8000 pessoas. Participaram juntos a comunidade de El Alto, os professores rurais, trabalhadores do setor informal, sindicatos e delegações das 20 províncias da Federação Campesina Tupac Katari, entre outros. Seguindo a resolução da C.O.B. foram realizadas mobilizações em todas as regiões do país.

As demandas exigidas na marcha foram a luta pelo direito básico à educação pública, a revogação do Decreto Supremo 4260 - onde se estabelece a educação virtual que é acessível só a um número reduzido de estudantes - a destituição do Ministro da Educação Víctor Hugo Cárdenas, a defesa da saúde, da estabilidade no trabalho, a revogação do Decreto Supremo 4272, que ataca as empresas estatais, entre outras demandas.

A presença dos trabalhadores e trabalhadoras foi contundente. Contou com a participação dos trabalhadores da Altifibers, uma empresa que fechou e deixou sem trabalho, em plena quarentena, 193 trabalhadores e trabalhadoras. Também estiveram presentes trabalhadores da Tecnopor S.A., empresa que acumula mais de 50 demitidos em La Paz e cujos trabalhadores vêm se mobilizando. Entre outros, também participaram trabalhadores da Incerpaz, Polar, La Estrella e a Federação Única dos Trabalhadores Construtores, que exigem que se retomem as obras públicas paralisadas e que denunciaram que em algumas empresas beneficiadas pelo governo “há vários trabalhadores que não tiveram os salários cancelados desde o mês de janeiro”. Os trabalhadores da saúde pública exigiram equipamentos de biossegurança, materiais e insumos para poderem seguir trabalhando.

A mobilização, chamada pela pressão das bases, mostrou nas ruas sua força e o descontentamento com o governo golpista e as empresas privadas, que vem se salvando as custas da vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Não se via uma mobilização de tal magnitude desde novembro, quando setores populares desciam mobilizados até o centro da cidade de La Paz em protesto contra o golpe de Estado.




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