Teoria

CENTENÁRIO REVOLUÇÃO RUSSA

Boitempo prepara seminário internacional sobre a Revolução Russa

Como parte das reflexões e comemorações em torno do centenário da Revolução Russa, a editora Boitempo, em parceria com o Sesc São Paulo, promove um grande seminário internacional que busca não apenas passar em revista este acontecimento fundamental para o século XX, mas, ainda, oferecer instrumentais que ajudem a pensar os desafios contemporâneos a partir de uma perspectiva de esquerda e, por que não dizer, revolucionária.

quinta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Com o título 1917: o ano que abalou o mundo e reunindo importantes pensadoras* nacionais e internacionais, o evento ocorre no Sesc Pinheiros entre os dias 26 e 29 de setembro e conta com uma programação principal e outra paralela.

A principal está dividia em duas etapas. A primeira oferece o curso “A História da Revolução Russa”. Com duração de quatro aulas, curadoria de Gilberto Marigoni e mediação de Alexandre Linares, inicia-se com Michel Löwy, diretor de pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique, que trata da Rússia tsarista até o moento da ruptura. Em seguida, é a vez de José Paulo Netto, professor emérito da UFRJ, que vai ministrar a aula “A Revolução do desespero”. Maria Orlando Pinassi, professora do Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, faz um panorama que abarca o período que vai da coletivização à guerra. O curso se encerra com aula de Ângelo Segrillo, professor de História Contemporânea da USP, sobre a consolidação, a decadência e a queda da URSS.

A segunda etapa da programação prinicpal compreende um ciclo de palestras que reúne mais de trinta conferecistas nacionais e internacionais. No caso das conferecistas estrangeiras, estarão presentes Antonio Negri, Wendy Goldman, Tariq Ali, Domenico Losurdo, Esteban Volkov, Christian Laval, Miguel Vedda, Pierre Dardot, Tamás Krausz e Michael Löwy. Ao time, junta-se um grupo nacional bastante combativo, composto por pessoas que têm pensado seriamente os rumos da esquerda brasileira nesse momento tão dramático: Alysson Mascaro, Anita Leocádia Prestes, Vladimir Safatle, Virgínia Fontes, Ruy Braga, Djamila Ribeiro, Osvaldo Coggiola, Marly Vianna, Antonio Carlos Mazzeo, Christian Dunker, José Paulo Netto, Leda Paulani, José Luís del Roio, Luiz Bernardo Pericás, Maria Lygua Quartim de Moraes, Angelo Segrillo e Valério Arcary. Para completar, na linha de frente, um grupo heterogêneo de mulheres, destacadas militantes e intelectuais, responsáveis pela mediação: Daniela Mussi, Diana Assunção, Fernanda Mena, Isabel Loureiro, Isa Penna, Juliana Borges, Maria Cristina Fernandes e Tory Oliveira.

A programação paralela vem acontecendo desde fevereiro deste ano no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. A literatura soviética é o tema da próxima palestra, com Bruno Gomide, professor livre-docente de literatura russa da USP, a ocorrer no dia 17/8. Na ocasião, será lançado o livro que organiza, intitulado Escritos de outubro: os intelectuais e a Revolução Russa (1917-1924). A obra reúne uma variedade de textos de importantes personagens do período compreendido.


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Além das conferências, palestras, cursos e debates, a Boitempo vem lançando desde o início de 2017 uma série de livros fundamentais sobre o tema e os desdobramentos da Revolução Russa. Já estão disponíveis nas livrarias Teoria geral do direito e marxismo, de Evguiénie Pachukanis; Olga Benário Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo, de Anita Leocadia Prestes; A Revolução das mulheres: emancipação feminina na Rússia soviética, que reúne textos inéditos sobre a emancipação feminina na Revolução de 1917, com organização de Graziela Schneider e Guerra e revolução: o mundo um século após Outubro de 1917, de Domenico Losurdo. Além destes, tem ainda a edição temática do centenário da Revolução Russa da revista Margem Esquerda 28 e a HQ Laika, de Nick Abadzis, pelo selo Barricada.

Ainda estão previstos para este ano todo um arsenal que promete senão abalar o mundo, ao menos dar uma chacoalhada nessa morosidade que golpe atrás de golpe nos colocou. Textos de Lênin traduzidos diretamente do russo, uma nova edição de A revolução de Outubro, de Trótski, em parceia com a Iskra, Outubro: história da Revolução Russa, de China Miéville, e o poema inédito de Maiakóvski, O que vou ser quando crescer?, dedicado às camaradas crianças, a sair pela Boitatá, estão entre os livros que vêm por aí.

O evento sobre a Revolução Russa é uma oportunidade para todos aqueles que pensam que é hora de juntar esforços e pensar radicalmente o Brasil e o mundo neste momento de flagrante assalto às conquistas históricas dos trabalhadores, de ataque violento ao pensamento e a prática de esquerda e de grande ameaça aos direitos conquistados nas últimas décadas pelos movimentos sociais e pelas minorias, sem deixar de lado a análise crítica sobre os acontecimentos de hoje e de ontem.

Informações sobre as inscrições estarão disponíveis em breve. Assim, vale a pena ficar de olho no site do evento: https://revolucaorussacombr.wordpress.com

*Optou-se neste texto pelo feminino como neutralizador de gênero, concordando idelogicamente com a palavra “pessoa” (silépse de gênero), conforme proposto por Alex Castro, em seu mini-manual pessoal para uso não sexista da língua, do qual assino embaixo.

Veja Também:

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Curso: Introdução a Pachukanis, com Alysson Mascaro

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