Gênero e sexualidade

REACIONARISMO SAGRADO

Bispos da CNBB no Rio emitem mensagem reacionária contra a descriminalização do aborto

Mesmo diante do Estado laico, a movimentação da igreja católica tem sido esses dias apenas para influenciar e interferir de forma reacionária no debate sobre a legalização do aborto.

segunda-feira 30 de julho| Edição do dia

Os bispos da Regional leste 1 que abrange todo o estado do Rio de Janeiro se reuniram na manhã desta segunda-feira(30) para formalizar mensagem e orientar seus fieis, a lutarem contra a (ADPF 442), uma medida judicial que busca permitir no Brasil, a descriminalização do aborto.

Com um discurso falacioso a igreja como sempre busca confundir os cidadãos, alegando que :“ O Estado é laico como condição para servir aos cidadãos, não para impor a todos um modo de compreender a realidade e com ela interagir. A laicidade do Estado não pode ser utilizada para desrespeitar os cidadãos em suas convicções mais profundas.”

Ora a igreja católica alega que o Estado está impondo uma lei aos cidadãos, e quantas leis a igreja católica impôs as pessoas por via do Estado até hoje? Desde os primórdios esses senhores lutam pelos seus interesses em nome de Deus, enganando, mentindo, e até matando pessoas inocentes pelos seus interesses, não seria agora que iriam mudar de atitude. Diante da discussão sobre a descriminalização do abortos, os membros da igreja estão convocando todos os seus fieis para que organizem conversas e até vigílias em suas igrejas, para fortalecer a luta contra o projeto de lei.

Defendem “ o direito a vida” enquanto milhares de mulheres morrem por conta de abortos clandestinos todo dia. O aborto é algo que é parte da realidade de milhares de mulheres. No mundo, estima-se que entre 2010 – 2014 , 25,1 milhões de mulheres anualmente realizaram abortos inseguros, segundo a OMS.

O debate que será realizado na ADPF 422 se limita a propor uma mudança no Código Penal para descriminalizar o aborto, não garante que o direito ao aborto seja de fato legalizado, tampouco garantido pelo SUS, acompanhado de políticas de educação sexual e de prevenção, o que seria minimamente o correto, pois o aborto é uma questão de saúde pública.

O que vemos no Brasil é um crescente cenário reacionário, onde vários setores da direita, junto a bancada evangélica tem apresentado suas demandas e interesses, sem pensar nas condições de desigualdades que vivenciamos no capitalismo, onde as mulheres são alvos constantes de exploração e opressão.

Por isso devemos seguir os passos das mulheres argentinas e lutar para que a maré verde aconteça aqui também no dia 08 de agosto, numa forte mobilização pela vida das mulheres. Pois somente nas ruas iremos arrancar esse direito, nenhuma confiança no judiciário, nos golpistas e na igreja. Que a luta seja por aborto seguro, legal e gratuito para todas as mulheres!




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