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Inacreditável | Biblioteca Nacional concede medalha a Daniel Silveira. Família de Drummond e intelectuais reagem

sexta-feira 1º de julho | Edição do dia

Pois é, o Brasil não é para amadores. Esse inacreditável fato veio a público nesta sexta-feira, 01. Ao que tudo indica, a Biblioteca Nacional concedeu, no dia de hoje, uma medalha da Ordem do Mérito do Livro ao inescrupuloso e reacionário deputado bolsonarista. A informação, até o momento da redação desta nota, não está divulgada oficialmente em nenhum veículo da Biblioteca Nacional.

A homenagem é concedida a acadêmicos, autoridades e intelectuais que contribuem para o universo da literatura. O poeta Carlos Drummond de Andrade recebeu a honraria em 1985.

A família do falecido poeta disse, em uma carta divulgada nesta sexta-feira, que é um "verdadeiro deboche" a entrega da medalha por parte da Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional. “Diante desse verdadeiro deboche, a família de Carlos Drummond de Andrade vem a público lembrar que o poeta recebeu a homenagem quando a Biblioteca Nacional era dirigida pela escritora Maria Alice Barroso, nome respeitável que honrou e engrandeceu a Casa". E continua: “o Brasil era outro, com autoridades que se faziam merecedoras de respeito pela dignidade, pelo decoro e pela conduta ética, mandatários que, diferentemente de hoje, não nos envergonhavam como povo e não nos apequenavam como nação."

Diante deste fato, outros escritores e personalidades também reagiram: Marco Luchesi, escritor, poeta e tradutor, que também recebeu a medalha da Ordem do Mérito do Livro, disse que não poderia codividir o prêmio com quem “persegue políticas do livro e destruiu bibliotecas”.

Segundo o Luchesi: "Eu não poderia jamais receber essa medalha porque ela vai na contramão da minha vida, da minha biografia, das coisas que eu acredito. E um presidente que diz que prefere um clube de estande onde de tiro a uma biblioteca já diz tudo. Não pode receber uma medalha pelo livro, assim como receber uma medalha, esse presidente em virtude do seu trabalho com os índios. Eu não participo dessa loucura e desse surrealismo. Mas tenho um grande amor pela Casa, pelo bibliotecário e por todos aqueles que trabalham apaixonadamente pela cultura", concluiu.

Ao blog do jornalista Ancelmo Gois, do Globo, o professor emérito da UFRJ, Antônio Carlos Secchin, também recusou a premiação. Ele justificou dizendo que a cerimônia “se constituirá na celebração de uma única diretriz política, agraciando pessoas sem relação com livros, biblioteca e cultura".

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre por que estaria recebendo o prêmio, o reacionário respondeu: “Não sei. Talvez pela causa que eu defendo.”




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