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Beyoncé é acusada de exploração e trabalho escravo na produção de sua nova coleção, Ivy ParK

Segundo matéria publicada no tabloide The Sun, os trabalhadores do Sri Lanka que fazem as peças da nova marca de roupa de Beyoncé, Ivy ParK, recebem pouco mais de $5,66 dólares por dia.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

quarta-feira 18 de maio de 2016| Edição do dia

Um trabalhador da fábrica MAS Holdings, que produziu a nova coleção de roupas de ginástica de Beyoncé, declarou que um mês de trabalho é igual a $125,74 dólares, contando com quase dez horas de trabalhos diárias e mais horas extras durante 5 dias por semana.

A nova coleção de roupas desportivas de Beyoncé foi lançada em abril, com grande campanha online em que a cantora defendia a criação de uma marca que prezasse pelo empoderamento feminino.

Ivy ParK, nome dado em homenagem à filha da cantora, Blue Ivy, e ao parque Parkwood, em Houston, Texas, cidade natal de Beyoncé, foi criada por ela em parceria com a loja varejista Topshop, de Londres. As 200 peças da coleção estarão nas lojas do mundo todo com os valores de $30 a $200 dólares.

VIDEO DE DIVULGAÇÃO DA COLEÇÃO IVY PARK

Apesar do discurso de que “Ivy ParK foi criada para inspirar as mulheres”, a cantora e seus parceiros, a fábrica MAS Holdings e a loja Topshop, estão sendo acusados de usar o modo de produção conhecido como sweatshop (que apresentam as condições de trabalho mais precárias e desumanas, podendo ser considerado trabalho escravo) no Sri Lanka pagando menos de $6 dólares por dia para que os trabalhadores produzam leggings de $65 dólares e croppeds de $35.

Uma publicação no tabloide inglês The Sun diz que uma investigação revelou que os trabalhadores na fábrica do Sri Lanka, na cidade de Katunayake recebem cerca de $6.17 dólares americanos. E apesar do baixo salário, a fábrica que produz Ivy ParK não está for a da lei. O salário mínimo no Sri Lanka gira em torno de $6 dólares americanos por dia. Ou seja, o salário mínimo no país (USD$235,49) é um pouco mais que o dobro do que os trabalhadores da MAS Holdings recebem. O que custaria mais de um mês de salário para que os trabalhadores pudessem comprar um par de leggings Ivy ParK que custa a partir de $144 dólares.

Uma comparação: Beyoncé e seu marido, o rapper Jay Z, possuem, juntos, uma fortuna de mais de 1 bilhão de dólares.

A Arcadia Group diz em seu website que trabalha na promoção da igualdade de gêneto e empoderamento feminino e ajuda aos trabalhadores a alcançarem uma experiência de vida equilibrada e holística.

Já a fábrica MAS Holdings, pertence a Mahesh Amalean, magnata do Sri Lanka, e seus dois irmãos. Ela emprega 74 mil trabalhadores, sendo 70% deles mulheres, em 48 fábricas em 15 países na Ásia.

“Tudo o que nós fazemos é trabalhar, dormir, trabalhar, dormir.”

Beyoncé disse que seu objetivo com a coleção de roupas desportivas Ivy ParK, é apoiar e inspirar mulheres, levando-as ao limite do desgaste atlético, para que as mulheres entendam que a beleza é mais do que a sua aparência física. Enquanto a loja Topshop declara que “empodera mulheres através do esporte”.

A maioria dos trabalhadores que produzem as roupas assinadas por Beyoncé é composta por mulheres jovens de vilas rurais precárias, que vivem em barracos de madeira e trabalham mais de 60 horas por semana para cobrir suas despesas, com muitas horas extras e trabalho também nos sábados, sem benefícios ou direito a férias e pausa de 30 minutos durante o dia inteiro. O trabalho monótono envolve costurar roupas ao lado de centenas de outras mulheres.

Uma das trabalhadoras, em seu barraco de madeira próximo à fábrica em Katunayake e ao aeroporto Colombo, disse: “Tudo o que nós fazemos é trabalhar, dormir, trabalhar, dormir.” Ela divide a casa, um cômodo de 3 metros quadrados, com sua irmã.

“Nós não temos nossa própria cozinha ou banheiro, é apenas um quarto pequeno. Nós temos que compartilhar o chuveiro com os homens, então não há muita privacidade. É chocante e muitas mulheres ficam muito assustadas.”

Assim como milhares de outras mulheres que trabalham em fábricas de vestuário no Sri Lanka, as irmãs foram obrigadas a se mudar da casa dos pais para conseguir emprego. “Nós tivemos que vir e trabalhar aqui porque nosso pai não tinha condições de nos alimentar e não há emprego no campo. Nós não tivemos escolha. E agora que minha irmã está aqui comigo é melhor. Eu sinto falta de casa. O trabalho é difícil – sempre a mesma coisa, de novo e de novo e de novo, todos os dias. Nós não visitamos nossa família porque trabalhamos o tempo todo. Eles falam que se você trabalhar, pode subir na empresa, mas isso é só pros chefes. Pra nós tudo continua sempre igual.”

A moça disse que ela não consegue viver com o salário mensal de $124 dólares. Todo o dinheiro é gasto no pagamento do aluguel e na ajuda à sua família que vive em uma vila próxima.

“Quando eles falam sobre mulheres e empoderamento… Isso é apenas para estrangeiras. Eles querem que as estrangeiras pensem que está tudo bem”, disse outra trabalhadora.

Enquanto isso, Beyoncé promove seu novo álbum Lemonade, que tem uma faixa chamada Freedom, sobre emancipação negra, além da participação das mães dos jovens negros assassinados pela polícia norte americana.

Quem governa o mundo?

Desde 2011, com o álbum 4 e a música Run The World (Girls), Beyoncé vem assumindo um caráter mais questionador em suas músicas sendo em sua maioria sobre a questão da mulher e do empoderamento feminino. Nos últimos dois álbuns da cantora, BEYONCÉ e LEMONADE essa questão ficou mais e mais evidente.

Apesar das letras marcantes e empoderadas, elas não atingem o objetivo de libertação feminina, pois tratam da ideia de auto emancipação e progresso individual, confiando no capitalismo e no dinheiro para garantir esse empoderamento.

Ainda que o empoderamento seja importante parte do processo de libertação, essa é um ato social ligada à conscientização, possibilitando assim a transformação social.

Infelizmente, Beyoncé não confia no capitalismo apenas nas músicas, mas também nos seus investimentos e nas decisões que toma. Aí está a grande contradição encontrada na sua música: fala do empoderamento das mulheres por um lado e lucra com sua exploração por outro. Além disso, ela não busca representar todas as mulheres, apenas aquelas que podem consumir seus produtos e a ajudar a alcançar seu segundo bilhão.

Contra a exploração das trabalhadoras mulheres em todo o mundo, independente de sua nacionalidade ou etnia. Contra todos burgueses, com suas máscaras negras e brancas.




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