Beto Richa compara o Paraná ao Haiti

terça-feira 18 de outubro| Edição do dia

A declaração foi feita nessa segunda-feira durante cerimônia de anúncio de recursos para saúde, como mostra essa reportagem da Gazeta do Povo.

Em seu discurso, Beto Richa criticou a atuação das categorias em greve no estado, dos sindicatos e da imprensa. No mesmo dia, os professores do estado iniciaram uma greve por tempo indeterminado, reivindicando o cumprimento do acordo de fim de greve do ano passado que até agora não foi cumprido integralmente pelo governo que vem postergando o reajuste do funcionalismo, entre outras reivindicações.

Para justificar o não cumprimento, o governador do PSDB culpou a crise nacional: “fomos inseridos neste contexto de má gestão e corrupção que quebraram o nosso país. Mas o Brasil agora vive um novo momento a partir do governo Temer e com esta parceria e respeito que passa a existir com o Paraná”

Mais a frente, Richa arrematou com uma frase que remete ao racismo sistemático no país: “não quero brigar com a imprensa porque têm muitos aqui do Paraná que não fazem daqui um Haiti”. Pressupõe-se que todos os outros fazem daqui um Haiti.

O Haiti é sinônimo de caos para senhores como Beto Richa, que reprimiu brutalmente a greve de professores do estado no ano passado e agora vem enfrentando uma das maiores ondas de ocupações secundaristas do país. Um país que há séculos protagonizou uma revolução de negros contra seus senhores, ocasionando o fim da escravidão, até hoje sofre as represálias e o racismo por parte das elites nacionais em toda a América Latina e outros países que não querem que os feitos dos escravos insurretos se repita pelo resto do continente. Agora, após o furacão que deixou centenas de mortos na ilha, Beto Richa compara as greves e ocupações, movimentações políticas legítimas contra o governo do estado e os ajustes de Temer, com os sofrimentos vividos por milhares de haitianos após o furacão.

Para além do absurdo com relação ao sofrimento do povo haitiano, frases como essas escancaram o racismo presente no imaginário de governantes como Richa e a necessidade de demonizar as mobilizações legítimas das categorias em greve e, mesmo que não tenha sido citado abertamente em seu discurso, as ocupações estudantis.

Retomando os célebres exemplos da revolução na ilha de São Domingos do final do século XVIII, os trabalhadores e estudantes paranaenses deveriam mostrar ao senhor Beto Richa que o Paraná vai virar o Haiti insurreto, que não vão mais aceitar mandos e desmandos por parte dos governos, que a luta independente das categorias em greve e dos estudantes ocupados é capaz de barrar a série de ataques que governos de todo o país estão organizando para descarregar a crise econômica nas costas do povo.




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