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"Bernie, você está brincando?", crítica de Roger Waters a Sanders sobre a “ajuda” a Venezuela

O líder do Pink Floyd questionou duramente nas redes sociais o senador Bernie Sanders por uma mensagem que defendia a “ajuda humanitária” para Venezuela.

segunda-feira 25 de fevereiro| Edição do dia

O senador norte-americano Bernie Sanders, foi duramente questionado por Roger Waters por conta de uma mensagem na rede social twitter, em que apoiava a “ajuda humanitária” enviada pelos Estados Unidos à fronteira colombiana com a Venezuela.

O intercâmbio gerou revolta nas redes porque Sanders, que acaba de lançar sua pré-candidatura presidencial por dentro do Partido Democrata, refere-se a si mesmo como um “socialista democrático” que iria fazer uma profunda mudança política nos EUA. No entanto, o apoio a grosseira manobra de “ajuda humanitária”, que na realidade escondia a ingerência aberta dos EUA e uma escravização da soberania venezuelana, deixou escancarado que Sanders apoia os métodos clássicos com que os Estados Unidos invade, ocupa e bombardeia países ao redor do mundo segundo seus interesses políticos ou econômicos.

Na mensagem original, publicada no mesmo momento em que se levava adiante a provocação revestida de “ajuda humanitária”, Sanders expressou: “O povo da Venezuela está suportando uma grave crise humanitária. O governo de Maduro deve pôr em primeiro lugar as necessidades de seu povo, permitir o ingresso de ajuda humanitária no país, e abster-se da violência contra os manifestantes.”

A resposta do líder do Pink Floyd não demorou para chegar: “Bernie, você está brincando? Se você compra a linha de Trump, Bolton, Abrams e Rubio sobre a “intervenção humanitária” e conspiração na destruição da Venezuela, não pode ser um candidato sério para ser presidente dos Estados Unidos. Talvez possa, talvez seja melhor para o 1%.

O intercambio gerou um inúmeros comentários nas redes sociais, muitos deles, de seguidores de Sanders que se sentiram decepcionados ao ver que quem consideram o mais progressista dos candidatos, repetia os mesmos argumentos que Trump no seu avanço da ingerência sobre a Venezuela.

O colunista Max Blumenthal foi um dos que se somou as críticas e escreveu que “É um triste comentário sobre a política norte-americana que o autoproclamado socialista mais famoso sinta-se obrigado a alimentar a narrativa intervencionista criada pela administração de Trump”.

Por sua parte a periodista Abby Martin falou diretamente para Sanders e disse: “apoiar um espetáculo liderado por criminosos de guerra... Não fará com que agrade mais os democratas e unicamente fará com que perca o apoio dos socialistas”.

Esta não é a primeira vez que Sanders apoia posições deste tipo. Depois dos ataques de 11 de semtembro de 2001, ele se uniu ao apoio quase unânime da “guerra contra o terrorismo”, e votou a favor da resolução de autorização do uso da força. Nos anos 1990, havia apoiado o projeto do então presidente Bill Clinton para endurecer as leis de prisões e encarceramentos (a mesma lei é apontada hoje como uma das responsáveis pelo encarceramento em massa de afroamericanos e da brutalidade policial racista). Em 2014, Sanders apoiou a resolução unânime do Senado para respaldar o Estado de Israel no bombardeio e invasão de Gaza.

A desculpa de “ajuda humanitária”, utilizada pelos Estados Unidos para forçar uma intervenção na Venezuela e alentar os militares a um golpe contra Maduro, caiu em evidência depois do fracasso daquilo que Guaidó considerava como seu “Dia D”, neste sábado, e declarar publicamente que agora “todas as opções estão sobre a mesa”. Esta frase já sinalizada por Trump, significa nem mais nem menos que a possibilidade de uma invasão e ocupação militar dos Estados Unidos na América Latina pela primeira vez em décadas, sob o mesmo argumento que o imperialismo dos EUA utilizou algumas vezes na sua história.




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