Internacional

Batalha de PepsiCo: uma jornada de luta exemplar contra a repressão e as demissões

Depois de uma forte resistência que durou várias horas, os trabalhadores confirmam que a luta segue. Crônica de uma jornada de luta exemplar que já é emblemática na luta contra as demissões.

quinta-feira 13 de julho| Edição do dia

Após uma longa noite, um enorme destacamento das forças de segurança, a polícia de Buenos Aires e a Gendarmería, reprimiu duramente os trabalhadores da PepsiCo e as organizações solidárias que os acompanhavam.

A resistência dos trabalhadores contra a repressão foi exemplar e contra o despejo ilegal do macrismo a favor da multinacional norteamericano. A operação que começou de madrugada, terminou recentemente as 10h. A forte repressão policial, que incluiu balas de borracha, gases e cassetetes, não conseguiu ameaçar os trabalhadores que resistiram ao avanço das forças repressivas e depois vinda dos tetos.

O apoio popular aos operários é enorme. Junto às organizações solidárias, os vizinhos lhes deram todo seu apoio refugiando em suas casas aqueles que enfrentavam as forças de segurança. Milhões viram pela televisão, com enorme simpatia, os operários e operárias da PepsiCo que já são um enorme exemplo de luta contra as demissões e o ajuste.

"Que vergonha você dá, Vidal. Reprime às operárias que estão defendendo seu direito ao pão” foi um dos cantos que se escutaram na resistência contra uma fábrica na qual a maioria são mulheres que sustentam seus lares. Eugenia Vidal é governadora da Província de Buenos Aires, ligada a Macri.

Após as 10 da manhã, os trabalhadores que se encontravam no terraço da planta se viram obrigados a subir frente ao ataque policial, decidiram baixar de vez quando se garantiu, por meio da presença de deputados, figuras de organismos de direitos humanos e figuras como Nicolás del Caño, Myriam Bregman e Christian Castillo (FIT) e Luis Zamora (AyL), que não seriam presos. A intimidação aos trabalhadores incluiu a ruptura de um cano de gás para colocá-los em perigo.

Na saída os operários falaram às mídias e àqueles que os apoiavam, dando emocionadas palavras de resistência, ódio ao governo, aos patrões e à burocracia sindical. Camilo Mones, delegado dos trabalhadores, afirmou emotivamente que “lutamos até o afinal e vamos continuar”. A fábrica foi desocupada, mas o plano de luta continua em defesa dos postos de trabalho.

Também se escutaram durante a resistência cantos de exigência de paralisação geral da CGT, que enquanto dezenas de milhares sofrem demissões e deteriorações salariais, se encontra em trégua com o governo. Indignante é o caso de Rodolfo Daer, dirigente do sindicato da alimentação que traiu a luta, seguindo sua tradição da década menemista.

Assim como o mostrou o Esquerda Diário, o destacamento para a repressão foi brutal. Cerca de 500 policiais e centenas de efetivos da polícia de Buenos Aires foram os que levaram adiante a desocupação.

A Gendarmería chegou à zona por volta das 4 da manhã. A força que responde à María Eugenia Vidal, chegou as 7h30. Na repressão utilizaram cacetetes, gases e balas de borracha. Até o momento são informados 8 detidos.

Diferentes meios de comunicação expressaram a repressão e a resistência operária:

América:

Televisão pública:

Junto aos operários da PepsiCo, resistiram centenas de estudantes, operárias e operários de outras fábricas do sindicato da alimentação e de outros sindicatos. Ali estiveram também militantes de organismos de direitos humanos e a esquerda, que se juntaram desde o anoitecer da quarta-feira nos arredores da entrada da fábrica.

Ali aconteceram momentos de encontro entre aqueles que resistem dentro da planta e aqueles que fazem a resistência de fora. Cantos e diversas demonstrações de solidariedade tingiram a paisagem de Florida com um tom combativo e classista.

Como sinalizamos, um fato de importância foi o enorme apoio que os trabalhadores receberam por parte dos vizinhos. Na madrugada se pôde ver um panelaço em apoio aos trabalhadores.

A repressão foi funcional à ação ilegal da empresa, que cometeu um lock out patronal sem precedentes e também pela cumplicidade ativa da Justiça e do Governo.

Operários e operárias esperando na fábrica

As demissões, como veio sendo informado por este e outros meios, são completamente ilegais. A empresa não pode alegar nenhuma crise real.

Junto às operárias e operários da PepsiCo se encontram presentes María Victoria Moyano e Alejandrina Barry, ambas filhas de desaparecidos (Moyano ademais neta reconhecida pelas Avós da Plaza de Mayo). Ademais está presente a deputada da Frente de Izquierda Nathalia González Seligra e o deputado portenho Patricio del Corro.




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