Política

GOVERNO TEMER

Base aliada pressiona Temer a atacar mais (e depressa) os trabalhadores

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

segunda-feira 21 de novembro| Edição do dia

A continuidade da crise econômica no Brasil despertou críticas ao governo Temer sobre a demora em fazer com que os empresários continuem lucrando. Uma ala da equipe presidencial quer acelerar os ataques contra os trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Um interlocutor do presidente disse que o governo está num ’’ritmo de quatro anos e precisa urgentemente entrar numa velocidade de quem só tem dois anos de mandato’’.

De acordo com ele, as incertezas provocadas pela eleição de Donald Trump e a crise fiscal dos Estados exigem do governo imprimir mais celeridade na área do investimento. Outro assessor de Temer afirma como a lentidão do governo a demora na educação da medida provisória com as novas regras de privatização, o que deverá atrair investidores nacionais e estrangeiros para projetos do país. Esta medida foi prometida logo no início do governo golpista e reforçada no anúncio do Programa de Parcerias e Investimentos em setembro, mas não saiu, preocupando consultores que cuidam dos interesses dos imperialistas no Brasil.

Dentro do governo, a medida, que permitirá renovar contratos de concessão ou a saída amigável de concessionários em dificuldades financeiras, já foi apelidada por técnicos de ’’MP da semana que vem’’, pois é sempre prometida, mas nunca editada, e estaria pronto no Planalto. Existe uma pressão das atuais concessionárias, controladas em grande parte por empresas envolvidas com a Lava Jato, para que o governo golpista permita mudanças nos contratos para salvar as atuais concessões, o que os técnicos não querem. Isso ainda estaria travando a medida.

Michel Temer também não conseguiu emplacar dois ataques. Liberar a participação de empresas internacionais em companhias aéreas nacionais e permitir que estrangeiros comprem terras no país. Pressões de parlamentares da base aliada estão impedindo a continuidade do Plano de Aviação Regional, que foi enxugado de 270 aeroportos para 53.

o governo começa a ter novas fissuras pela Lava Jato com o caso Geddel, e uma possível substituição de Temer - pelas delações da Odebrecht - não está descartada num futuro próximo, caso a burguesia nacional e estrangeira consiga outras figuras que apliquem ajustes mais rapidamente

Depois de um relativo fortalecimento pela via eleitoral, a continuidade da crise começa a gerar novas fissuras através Lava Jato com o caso Geddel. Isto deixa o governo federal ainda mais instável, aumentando a possibilidade da sua substituição através da Operação Lava Jato, via delação premiada da Odebrecht ou por meio da cassação da chapa Dilma-Temer. Aumenta a possibilidade também da operação Lava Jato avançar contra os atuais políticos da ordem, trocando por outros que sejam ’’capazes’’ de atacar os trabalhadores e demais setores populares da sociedade.

Ao mesmo tempo que este elemento seja um fator que contribui para queda de Temer, serve também para que o presidente golpista sinta-se mais pressionado para implementar as medidas impopulares que ataca os trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Tempo na política é tudo e a Operação Lava Jato já vai começar a delação da Odebrecht, que promete ser avassaladora conforme a própria grande imprensa afirma e certamente poderá atingir.

Qualquer cenário oferecido pelos "de cima" é ruim para os trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Se Michel Temer continuar no governo, certamente vai implementar as medidas que já estão em curso e vai ter uma postura mais dura do que já vem adotando. Caso Michel Temer caia por mãos da Lava Jato, a turma de Sérgio Moro vai colocar alguém que consiga implementar os ataques desejados.

Enquanto isso, a CUT e a CTB continuam com o seu acordo de trégua com o governo golpista. Estas centrais sindicais seguem a orientação de Lula para não incendiar o país, pois o PT quer mostrar para os grandes empresários e banqueiros que são ainda uma alternativa viável em 2018. É preciso que a CUT e CTB rompam com esta postura e coloquem em pé um plano de luta para barrar os ataques que estão por vir.

Frente a crise política e econômica que o Brasil vive, nós os trabalhadores precisamos dar uma resposta independente. Essa resposta tem que se enfrentar contra a Lava Jato, mas denunciando os atuais políticos corruptos, questionando o regime. Isto só vai acontecer através de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana por meio da luta dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade.




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