Sociedade

REFORMA TRABALHISTA

Bancos com lucros recordes usam reforma trabalhista para roubar trabalhadores nas rescisões

O Banco Itaú, desde Janeiro, tem implementado algumas mudanças propostas pela reforma trabalhista e dentre elas está o fim da homologação sendo feita no Sindicato. Isso tem acarretado em uma enxurrada de irregularidades no cálculo de pagamento de verbas indenizatórias. Que só foram identificadas porque os trabalhadores da entidade, recorreram ao Sindicato, por conta própria, e puderam reverter os valores da indenização seu favor, com o apoio do sindicato.

sexta-feira 9 de fevereiro| Edição do dia

Os bancos Itaú, Bradesco e Santander tiveram juntos em 2017 um lucro líquido de R$ 53,8 bilhões, representando portanto um crescimento de 15% em relação aos lucros de 2016, apenas o Itaú bateu o recorde mundial de lucro de instituições financeiras, totalizando um montante de R$ 24,8 bilhões.

Em meio a profunda crise econômica que atravessa o país, os bancos estatais, Banco do Brasil e Caixa, agora sob as mãos de um governo golpista, estão sendo geridos por agentes que atuam a serviço de bancos privados. O BB tem cada vez mais um atendimento precário, com milhares de agências tendo o horário de atendimento reduzido ou mesmo sendo fechadas ao redor do país, tornando as filas cada vez mais cheias e o serviço cada vez pior, o que força com que os clientes passem suas contas para bancos privados, o que faz com que seus lucros aumentem.

O lucro dos bancos também aumenta com a oferta de empréstimos em meio a crise, quando os trabalhadores recorrem a este último recurso para seguirem dando conta de alimentar suas famílias, no entanto, os juros cobrados são os mais altos do planeta, fazendo com que as pessoas muitas vezes se afoguem em dívidas que não podem pagar.

Mesmo indo na contramão da crise e batendo recordes de lucro, os bancos estão fechando postos de trabalho, no ano passado foram 17.905 postos cortados em todo o setor, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os valores cobrados pelos bancos também são muito superiores aos valores gastos para a captação, assim, eles vem lucrando enquanto cobram taxas de juros muito mais altas do que o normal para empréstimos e manutenção de contas.

Segundo Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o Itaú teve de receita apenas com cobrança de tarifas mais de R$ 35 bilhões, que sozinha já cobre toda a despesa que a empresa tem com funcionários. Apesar disso, além de não contratar mais funcionários, os bancos não estão melhorando as condições de serviço dos que já estão contratados, um exemplo é o aumento de funcionários que fazem home office, uma forma indireta de aumentar indiscriminadamente a jornada de trabalho, sendo que estes funcionários têm seu esforço “recompensado” por shows e palestras motivacionais.

O setor também vai ter o trabalho mais precarizado com a aplicação da reforma trabalhista, e segundo Roberto van der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), o setor está entre os que mais têm afastamento por distúrbios mentais e outros tipos de doença laboral, indo na contramão do que se acredita sobre as condições dos trabalhadores desta área.

A reforma trabalhista não somente precariza o trabalho como possibilita mais lucro dos empregadores. O Banco Itaú, desde Janeiro, tem implementado algumas mudanças propostas pela reforma trabalhista e dentre elas está o fim da homologação sendo feita no Sindicato. Isso tem acarretado em uma enxurrada de irregularidades no cálculo de pagamento de verbas indenizatórias. Que só foram identificadas porque os trabalhadores da entidade, recorreram ao Sindicato, por conta própria, e puderam reverter os valores da indenização seu favor, com o apoio do sindicato.

De acordo com a revisão dos valores, a entidade deixaria de pagar aos trabalhadores mais R$ 142 mil reais por conta do cálculo incorreto das férias. Esses valores levantados pelo setor de homologações do Sindicato do Bancários, são referente apenas aos meses de dezembro de 2017 e janeiro de 2018. Em um dos casos identificados o valor calculado pelo Banco teve a carência de R$ 16 mil. Durante a homologação feita pela o sindicato o valor foi corrigido e o Itáu se comprometeu a quitar a diferença com a assinatura de um termo de compromisso

Isso evidencia a importância dos trabalhadores tomarem os sindicatos em suas mãos para organizar tanto ações como essas como lutar contra a reforma trabalhista e a votação da reforma da previdência, que não mexe no lucro dos empresários, enquanto quer tirar até o ultimo suor e centavo dos trabalhadores.

Estes dados servem para comprovar qual é o caráter destas instituições, que mesmo não parando de lucrar durante uma profunda crise, não revertem essas quantias em mais contratação, melhoria dos serviços ou melhoria das condições de seus funcionários. Longe disso, todo o lucro conseguido por meio de exploração exaustiva dos trabalhadores do ramo e por meio de cobranças abusivas dos seus clientes segue apenas nas mãos dos banqueiros que não sentem passar a crise que o país enfrenta pois coloca a classe trabalhadora para pagar por ela.




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