Educação

BANCO MUNDIAL

Banco Mundial delira e diz que professores brasileiros são bem pagos e tem bons beneficios

Um novo estudo bastante questionável do Banco Mundial ousa dizer que professores brasileiros tem benefícios e salários acima da média de outros países com renda per capta semelhante. Difícil para qualquer professor da rede pública confirmar essa tese.

Ítalo Gimenes

Campinas

sexta-feira 24 de novembro| Edição do dia

O relatório, divulgado nesta terça-feira, contribui para que os governos piorem as condições de trabalho, terceirizem e cortem direitos dos trabalhadores em tempos de crise. O que esperar de uma instituição que existe para garantir, junto ao FMI, que a dívida com banqueiros/agiotas internacionais seja paga. Uma dívida que hoje consome 40% do PIB do país, às custas dos gastos com educação e saúde, por exemplo, com a nova PEC dos gastos públicos.

Leia aqui o que quer o Banco Mundial para a educação no Brasil.

O relatório declara: “O piso salarial dos professores brasileiros está em linha com o que é pago em outros países com renda per capita similar. No entanto, os salários dos professores no Brasil aumentam rapidamente após o início da carreira. Devido às promoções automáticas baseadas nos anos de serviço e da participação em programas de formação, em 15 anos de carreira os salários se tornam duas a três vezes superiores ao salário inicial, em termos reais. Essa evolução supera significativamente a maioria dos países no mundo.”

O relatório ainda tenta imprimir “vantagens” oferecidas aos professores dentro do sistema de previdência: “Além disso, vale destacar que os professores brasileiros têm direito a planos previdenciários relativamente generosos quando comparado a outros países da OCDE (ver o capítulo sobre a previdência). Essa generosidade dos benefícios previdenciários é muito superior aos padrões internacionais.”

Tais dados são amplamente questionáveis, haja vista a situação precária da maior parte dos professores do país, que tem que lidar com salas superlotadas, piso salarial que não atinge R$ 2000,00, caso sejam efetivos (cada vez um número menor, graças a Reforma Trabalhista). Com essa reforma e a terceirização irrestrita, o futuro dos professores é de trabalho intermitente, com menores salários e provavelmente terceirizado. Com a Reforma da Previdência, estes terão que contribuir pelo menos 10 anos a mais e receberão ainda menos que um salário mínimo.

A conclusão, portanto, é de que o problema da educação no Brasil não são as más (péssimas) condições de trabalho docente ou falta de investimento. Pelo contrário, é tudo uma questão de “elevar a eficiência na aplicação dos recursos e acabar com o desperdício”. Evidentemente um texto que se utiliza da ciência a serviço de negar a necessidade de recursos a educação e a possibilidade de terceirizar professores, cortar salário, retirar direitos, como fazem hoje no Rio Grande do Sul. Os gastos públicos com as dívidas com banqueiros é complemente natural para esse banco imperialista.

Veja também: Para Banco Mundial, a indisciplina dos alunos nas salas de aula é culpa dos professores

[Banco Mundial quer o fim da universidade Pública e Gratuíta >http://www.esquerdadiario.com.br/Banco-Mundial-quer-fim-da-Universidade-Publica-e-Gratuita])




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