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Bancários entram em greve a partir do dia 06/09

Na noite desta quinta-feira, dia 01/09, os bancários de São Paulo, Osasco e região votaram pela greve. Assembleias em todo o país também rechaçaram o arrocho da Fenaban e a greve nacional começa na próxima terça-feira.

sexta-feira 2 de setembro| Edição do dia

Os bancários rechaçaram a proposta de 6,5% de reajuste e R$ 3 mil de abono, mais conhecido como arrocho salarial. Além disso, é notória a mais forte intransigência da Fenaban em relação a outros temas que assolam a vida dos bancários, como, assédio, cortes, demissões, reestruturações e ameaças mais concretas de privatização no caso dos bancos públicos. Diante disso, foi unânime a votação pela greve a partir do dia 06/09.

No entanto, a assembleia desta quinta foi mais uma vez marcada pelo monopólio das falas dos diretores e das centrais, uma vez que a direção do sindicato e sua claque fiel tratoraram a proposta de que o microfone fosse aberto para os bancários presentes expressarem suas posições. Na abertura, Vagner Freitas, presidente da CUT, esteve presente para remarcar o que vemos como a somente verborrágica luta da CUT contra o golpe. Muito discurso, mas que na realidade dos trabalhadores não se refletiu em nenhuma medida de luta, sequer de resistência real ao golpe e aos ataques.

A greve dos bancários e sua importância na realidade nacional

A primeira categoria a entrar em greve após a consolidação do golpe institucional, que promete aprofundar e acelerar os ataques que o governo Dilma/PT já vinha implementando, encontrará o cenário duro de uma patronal ainda mais fortalecida. Por outro lado, se trata de uma greve que pode, junto a outras categorias estratégicas do país, como Correios, petroleiros, metalúrgicos, cumprir um papel decisivo para a correlação de forças dos trabalhadores em se enfrentar com os ataques aos seus direitos, promovidos pelo governo golpista de Temer.

Pra além dos salários, estão em jogo direitos históricos dos trabalhadores. As ainda restritas garantias da CLT podem virar letra morta, isso sem falar dos planos para a previdência e dos cortes na educação e saúde. E o que vimos foi um PT conivente com o golpe, lastreado pelas principais centrais sindicais do país CUT e CTB, assumindo de vez que não estão nas trincheiras com os trabalhadores, mas sim nas negociações diretamente com os golpistas nos altos escalões do poder, buscando se consolidar como oposição responsável, garantidora dos interesses dos grandes investidores.

Sair da sala de jantar pra unificar as lutas, as greves, retomar os sindicatos

Mais do que nunca, essa não pode ser uma greve conformada nos moldes do controle burocrático e traidor da CUT e CTB, onde a maioria dos bancários vão pra casa assistir a greve de suas salas de jantar. E a cada ano tiram cada vez mais a conclusão de que não vale a pena lutar. Parece a saída fácil, mas esse o caminho de uma derrota sem luta.

A chance que os bancários tem de se enfrentar com o arrocho, as demissões, reestruturações, privatizações, é sair de sua zona de conforto (que já parece estar bem desconfortável), e se apropriar da organização de sua greve, derrubar os obstáculos que as direções traidoras são, e chamar as outras categorias de trabalhadores para fazer greve junto, parar o país.

Não podemos mais alimentar ilusões de que as direções da CUT e CTB que vão se colocar a serviço da unificação dos bancários com os trabalhadores dos Correios, petroleiros, metalúrgicos. Pelo contrário, pensando em manter seu controle e seus privilégios, essas direções vão colocar peso nessas divisões onde cada um luta só pelo seu. Um grande favor que fazem às elites, ao manter os trabalhadores preocupados somente com suas demandas mais imediatas e os deixando por fora das decisões políticas que afetam a vida de todos.

Os sindicatos nas mãos das direções traidoras da CUT e CTB são freios, mas nas mãos dos trabalhadores podem se tornar motores de uma alternativa real de luta contra os ataques. Erguer uma greve unificada pode ser exemplo e ponto de apoio para a luta de outros trabalhadores do país, inclusive dos mais precarizados; pode ser ponto de apoio também para a luta da população como um todo contra os ataques à saúde, educação e serviços públicos.

Os ataques estão sobre a cabeça do conjunto dos trabalhadores, da maioria da população, e nessa hora, não tem saída individual que dê jeito.




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