ELEIÇÕES 2018

Bancada ruralista mantém vocação escravocrata: 11 deputados somam 286 violações trabalhistas

Dos 43 deputados federais que são donos ou administradores de empresas rurais, 11 foram autuados por violar leis trabalhistas. Dois dos candidatos foram flagrados explorando trabalhadores em situação análoga à escravidão. Foram ao todo 109 trabalhadores resgatados da escravidão nos latifúndios monocultores de Beto Mansur e Leonardo Picciani, fato que escancara os interesses dos políticos burgueses e o quanto eles são opostos aos interesses e aos direitos dos trabalhadores.

quarta-feira 12 de setembro| Edição do dia

As violações à lei cometidas pelos 11 deputados somam um total de 286 autos, que incluem não pagamento de FGTS, proibição ao tempo de descanso e horário de almoço e jantar, jornadas de trabalho excessivas, descumprimento das regras e ausência de equipamentos de prevenção de acidentes, não pagamento de horas adicionais trabalhadas, ausência de registro em carteira e o mais chocante:trabalho escravo.

Os dados são da Receita Federal e do Ministério do Trabalho, resultado do Ruralômetro, ferramenta desenvolvida pela Repórter Brasil para monitorar a atuação dos deputados federais em áreas de impacto ao meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais.

Um caso que chama bastante atenção, pela reincidência e impunidade, é o do deputado Beto Mansur (MDB-SP). Em suas fazendas de produção de soja e gado no norte de Goias, a escravidão ainda não foi abolida. E por duas vezes, num intervalo de 12 anos, foram flagrados grupos enormes trabalhando em situação análoga à escravidão.

Não sabemos quantas mais poderiam ter sido encontradas não fossem todas as dificuldades criadas pelo governo golpista de Temer para que esse tipo de inspeção de resgate a trabalhadores escravizados ocorresse.

Em 2004, 46 trabalhadores, dentre eles, crianças, foram resgatados por uma equipe de fiscais, que autuaram Mansur por trabalho escravo e infantil. Ele ainda responde pelo processo no Tribunal Superior do Trabalho, que o condenou a pagar R$ 200 mil por danos morais coletivos, mas não mudou sua forma de explorar o trabalho humano para lucrar cada vez mais com seus grandes latifúndios monocultores.

Oito anos depois, em 2012, auditores do trabalho resgataram mais 22 homens plantando soja em jornadas de 24 horas nas terras do deputado. Eles trabalhavam das 7h às 7h, com intervalos de 30 minutos para o almoço e o jantar.

“A jornada era tão exaustiva que eles laboravam até não mais ficarem acordados”, afirma o coordenador da fiscalização e auditor fiscal Roberto Mendes. “Quando chegava as 2h, paravam a máquina e dormiam por alguns minutos no chão, no meio do campo.”

Destes 11 deputados, 10 compõe a reacionária bancada ruralista, a Frente Parlamentar Agropecuária, um dos setores mais favorecidos pelo governo golpista de Temer, conhecido por sua forte ligação com as principais empresas de agronegócio do país e por sua criminosa atuação em relação aos povos indígenas do país, responsável pela liberação do uso no país de agrotóxicos proibídos no mundo todo, pois já está claro que pouco se importam de fato com a saúde e bem estar da população e do meio ambiente. Colocam seus interesses acima e em detrimento da saúde de milhões que serão altamente prejudicados com o uso desses produtos que envenenam cotidianamente os trabalhadores do campo, a natureza e também toda a população através da alimentação.

A mesma bancada ruralista recentemente teve cerca de 17 bilhões de reais em dívidas perdoas por Temer em troca de apoiá-lo contra as denúncias de corrupção sobre ele e seu governo.

Dos 11 deputados empresários rurais que cometeram infrações trabalhistas, 10 votaram a favor da Reforma Trabalhista, que junto com a Terceirização Irrestrita aprofunda ainda mais a precarização do trabalho e na prática legaliza a escravidão. O trabalho intermitente, os contratos precários são um profundo ataque à classe trabalhadora. Os trabalhadores mais vulneráveis, no campo, nas carvoarias, nas colheitas de castanha, nas fábricas clandestinas de costura estarão ainda mais vulneráveis a todo o tipo de exploração e privação da liberdade como vemos nesse caso.

Deputados proprietários de empresas rurais autuados por violar a lei trabalhista

Fontes: Receita Federal e Ministério do Trabalho

Nenhuma alternativa que tente conciliar o interesse dos capitalistas e latifundiários e suas mentalidades escravistas com o interesse dos que sofrem com a precarização do trabalho pode superar o trabalho escravo e garantir os direitos dos trabalhadores no Brasil. Isto é provado quando lembramos, por exemplo, que foi nos governos de Lula e Dilma que a terceirização mais cresceu e que candidatos como Ciro Gomes, que tentam passar uma ideia de "candidatura progressista" mas seguem tendo como uma de suas principais aliadas a ruralista Kátia Abreu, conhecida como "motosserra de ouro", inimiga dos povos indígenas, "dama do agronegócio".

Diante disso, vemos que não existe mal menor. Por isso o Esquerda Diário chama a conhecer as candidaturas do MRT, por uma voz anticapitalista nessas eleições manipuladas, que se colocam a lutar pelo fortalecimento de cada combate da classe trabalhadora contra o capitalismo e a exploração, em defesa dos reais interesses e necessidades dos trabalhadores.




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