GOVERNO BOLSONARO

Balbúrdia: com menos de 7 meses de governo, ministros de Bolsonaro entram de férias

Está chamando a atenção das redes sociais o fato de 5 dos ministros de Bolsonaro entrarem de férias com menos de 7 meses de governo. São os mesmos que tanto defendem o legado da reforma trabalhista de Temer e a aprovação da reforma da previdência, que fará a população trabalhar até morrer.

quinta-feira 25 de julho| Edição do dia

Abraham Weintraub, ministro da Educação que ficou popularmente conhecido por cortar verba das universidades e institutos federais alegando balbúrdia nos campi e uma suposta queda no rendimento acadêmico dos estudantes (suposta, pois dado nenhum demonstra qualquer queda, pelo contrário), é o quinto ministro a entrar de férias tendo trabalhado somente 5 meses.

No Pará, enquanto o ministro aproveitava suas férias precoces, indígenas protagonizaram protestos contra o governo, reclamando que nunca haviam sido ouvidos pelo governo.

Outros ministros que tiveram férias precoces são: Sérgio Moro, que pediu afastamento temporário do cargo após os vazamentos da Java Jato; Teresa Cristina, ministra da Agricultura; Marcelo Álvaro do Turismo, alvo de inquérito sob suspeita de uso de laranjas nas eleições, e o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que viajou aos EUA para comemorar os 50 anos da chegada do homem a lua.

Férias, um direito conquistado pelos trabalhadores

O direito de férias nasce durante a revolução industrial, no Reino Unido, como demanda dos trabalhadores, mas só é estabelecido no Brasil em 1925, com 15 dias de duração. Em 1949 foi expandido para 20 dias, e apenas em 1977 uma nova expansão das férias garantiu 30 dias de descanso anual. Em 1988, com a promulgação da Constituição, foi estabelecido um adicional de 1/3 de salário que se recebe durante as férias.

Com a revolução russa de 1917, que colocou a classe trabalhadora no poder, a burguesia dos países capitalistas se viu obrigada a abrir concessões em direitos trabalhistas, como forma de responder às lutas sindicais que a classe trabalhadora vinha travando em todo o mundo, no sentido de tentar impedir que essas lutas se desenvolvessem para uma questionamento maior do sistema capitalista. Uma dessas concessões foi o direito às férias remuneradas, direito conquistado primeiro pelos trabalhadores franceses, em 1936, que garantia o pagamento de no mínimo seis dias úteis.

É certo que as férias são um direito conquistado pelos trabalhadores, enquanto direito a um descanso anual. Mas aquilo que a casta política no Brasil desfruta tem outro não, não se tratam de direitos, mas sim privilégios. Férias precoces, salários dez vezes maiores do que a média salarial brasileira, auxílio moradia volumoso e até auxílio terno. É esse o cenário de privilégios dos políticos e juízes brasileiros, enquanto a população amarga com o desemprego, corte de direitos, trabalhos precários e baixíssimos salários.

Contra os privilégios, que todo político ganhe o mesmo que um trabalhador comum

Somente um programa radicalmente de esquerda e feito pelos trabalhadores pode ser consequente no enfrentamento aos privilégios da casta política a nível internacional. É por isso que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina (FIT, com a sigla em espanhol), através da candidatura presidencial de Nicolás Del Caño do PTS (organização irmã do MRT naquele país) agita nacionalmente a proposta de que todo político ganhe o mesmo que um trabalhador comum, somada a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que todos tenham emprego e um salário digno.

Nico é nacionalmente conhecido, dentre outras coisas, por doar seu salário de parlamentar para as lutas e greves operárias que acontecem na Argentina, ficando para si apenas com aquilo que corresponde à média salarial do país. Aqui no Brasil o Movimento Revolucionário de Trabalhadores - MRT levanta a campanha para que todo político ganhe o mesmo que uma professora, e que toda professora, assim como todo trabalhador, ganhe de salário o mínimo proposto pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, que corresponde a R$ 4.385,75 (referente ao mês de abril deste ano) para viver dignamente.




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