Sociedade

DOSSIÊ 6 MESES SEM JUSTIÇA POR MARIELLE FRANCO

Balanço da intervenção federal no Rio reafirmam denúncias de Marielle

6 meses após o brutal assassinato da vereadora, número de assassinados pelo Estado bate recorde.

sexta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Imagem: Catraca Livre/ De Maio

Pouco antes de ser brutalmente assassinada, num crime ainda sem respostas, a vereadora do PSOL fez um vídeo quando foi anunciada a intervenção federal no Rio, denunciando as políticas de segurança pública dos governos Cabral e Pezão, que contaram com apoio de Temer mas também dos governos petistas como Dilma e Lula.

No vídeo, Marielle criticava tanto medidas como do governo Dilma, que implantou a Garantia de Lei e Ordem (GLO) que foi o que permitiu colocar o exército no Maré, como do governo Temer. Também criticou a Intervenção Federal, anunciando a matança que isso ia ser:

Seis meses após sua morte, se confirmaram aquelas denúncias. Nos 5 primeiros meses da Intervenção Federal (do dia 16 de fevereiro a 15 de agosto), as mortes por ações do Estado aumentaram em 38% frente ao mesmo período do ano passado, 636 frente a 460. Os homicídios subiram 3% no mesmo período. Nesse ano, na cidade do Rio, um a cada 5 assassinatos foram cometidos pela polícia. Mês passado, após o debate para governadores do Rio, em que a Intervenção foi duramente criticada, houve uma operação da polícia civil com as forças armadas que deixou mais de uma dezena de mortos com vários relatos e denúncias de absurdos cometidos pelas forças militares numa política de terror contra o povo pobre.

Também houve operações com helicópteros atirando sobre as favelas, como nesse vídeo de junho:

Na operação citada acima, dois jovens foram presos no Alemão sem qualquer tipo de prova, apenas por uma troca de mensagens, num ato ilegal, pois é proibido a revista obrigatória a celulares.

Isso só mostra que, como dizia Marielle, a Intervenção só veio aí para aumentar a opressão contra a população negra e moradores de favelas e periferias. Apesar disso, o Coronel Íbis Pereira, filiado ao PSOL, ex-comandante geral da PM do Rio, que foi anunciado como quem seria secretário de uma eventual prefeitura de Marcelo Freixo em 2016, veio a público dizer que era preciso buscar um legado positivo dessa intervenção,”fazer do “limão uma limonada”. Entretanto, não existe qualquer legado positivo que se possa extrair dessa medida autoritária, assassina e reacionária.

Diferente do que Íbis propõe, ou da linha que Tarcísio Motta e o PSOL vem defendendo de investir em "inteligência policial", o que é algo que inclusive candidatos da direita como Eduardo Paes ou Romário também dizem, é necessário uma resposta econômico-social.

A única forma de enfrentar a violência é garantindo emprego, educação e perspectiva de vida para a juventude, o que só pode vir arrancando dinheiro dos capitalistas, com uma Petrobras 100% estatal sob gestão dos petroleiros e controle popular e o não pagamento da dívida pública. Isso combinado com a legalização das drogas para desmantelar parte fundamental da rede do crime organizado, composto pelo tráfico, a milícia e a própria polícia.




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