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Bahia: Rede privada de saúde atrasa 6 meses de salários e funcionários podem paralisar

O Hospital Evangélico da Bahia, localizado no bairro de Brotas, em Salvador, pode ter suas atividades paralisadas durante a pandemia do novo coronavírus por conta das dívidas com os funcionários que já ultrapassam R$ 14 milhões. Médicos e enfermeiros reclamam de atrasos que podem chegar a seis meses no pagamento dos salários.

quarta-feira 13 de maio| Edição do dia

O histórico do Hospital vem sendo marcado pelo constante atraso de salários de seus funcionários, como médicos e enfermeiras. Tanto os profissionais quanto seus sindicatos vem em constantes negociações com a instituição, mas os pagamentos nunca são resolvidos e os atrasos se repetem.

Segundo denúncias recebidas pelo Bahia Notícias, os médicos que atuam no hospital relatam que não recebem salário desde novembro de 2019 e que um grupo de profissionais está parando de atuar nos plantões. Apesar do Hospital não ser uma referência para o tratamento da Covid-19, o mesmo possui pacientes confirmados.

No começo do ano os funcionários já haviam paralisado suas atividades e fizeram um protesto em frente ao hospital, naquele momento denunciando o atraso de cinco meses de salários, e que ,segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (Sindisaúde) - Rede Privada, 70% dos trabalhadores do hospital aderiram à paralisação.

Em momentos anteriores, os funcionários também relataram que o atraso de salários afetava profundamente suas vidas, pois é isso, diferente dos patrões, que garante que tenham condições para casa e alimentação. Alguns deles contam que já receberam ordem de despejo por falta de pagamento de aluguel, outros tiveram que abrir mão de convênios médicos para enxugar os gastos e houve também casos mais graves em que o funcionário mantiveram a rotina de trabalho no hospital por causa das refeições servidas no estabelecimento. Mas que mesmo assim, ao questionarem o hospital, eles sofreram ameaças de demissão ou em muitas vezes foram demitidos.

Chegada a essa situação, o Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (Seeb) acionou a unidade hospitalar na Justiça e lhe foi concedido um pedido cautelar para o bloqueio das contas do hospital referentes aos pagamentos que ocorrem do Planserv, Estado da Bahia, Bradesco Saúde, Sul América, Petrobras e Amil, até o limite de R$ 764.744,11.

Após o bloqueio, os profissionais aguardam a liberação do valor por parte da instituição. O Hospital Evangélico da Bahia é uma entidade filantrópica (sem fins lucrativos) e, segundo a instituição, "60% dos seus pacientes são atendidos pelo Sistema único de Saúde (SUS)".

Por isso, o dia internacional das enfermeiras e enfermeiros, 12 de Maio, deve ser parte de potencializar os distintos focos de resistência dos trabalhadores da saúde no Brasil e no mundo, que estão na principal trincheira do combate à pandemia do coronavírus, mas que mesmo assim sofrem congelamento e atraso de seus salários, além de falta de equipamentos de proteção e testes, o que resulta em uma precarização de seus trabalhos.

É necessário impulsionar uma ampla campanha de apoio a esses trabalhadores, lutando pela estatização e incorporação da rede privada ao SUS, apontando por um sistema de saúde único estatal e controlado pelos trabalhadores, sem indenização aos donos da Amil, Unimed e outros mercados da saúde, para que eles próprios, que sabem o que cada setor e hospital precisa, revertam a falta de EPIs e outras necessidades mínimas que os governos e capitalistas já deixaram claro que não tem interesse em resolver.

Frente aos ataques e a precária situação dos e das trabalhadoras da saúde, são os e as próprias trabalhadoras que mostram o caminho

Viemos denunciando que no Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP) vem racionando máscaras, não aplica testes em seus funcionários, resiste em afastar trabalhadores com suspeita de coronavírus e os de grupo de risco, o que vem aumentando o número de contaminados, chegando a mais de 40 só neste hospital, conforme denunciado pelo Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP. O que já gerou duas manifestações por parte dos funcionários na frente do Hospital e a recente aprovação pelo sindicato da formação de um comitê de trabalhadores eleitos em diversos setores do hospital para combater a pandemia e lidar com a situação calamitosa das condições de trabalho, o que é um exemplo de auto-organização para os e as trabalhadoras da saúde.

No dia internacional da enfermagem, esses trabalhadores organizaram a realização de uma homenagem a todos os trabalhadores da saúde que foram vítimas de Covid-19. No Brasil, essas mortes já ultrapassam as da Espanha e da Itália juntas. A ação também denunciará as condições precárias de trabalho, com falta de EPIs e a não liberação do grupo de risco, além de exigir contratações emergenciais e garantia de direitos iguais para todos os trabalhadores.

Essa homenagem será às 13h15 na entrada do HU, com balões brancos e pretos simbolizando os mortos e com suas faixas remarcando suas demandas. Também farão um minuto de silêncio como símbolo da unidade da nossa classe nessa batalha.

De um lado, temos os bolsonaristas, apoiando cada vez mais no discurso militarista, atacando covardemente os enfermeiros e defendendo os interesses dos patrões. Do outro, não estão os governadores, o judiciário, o congresso! Mas sim os próprios trabalhadores da saúde, com seus próprios instrumentos de organização e denúncia, defendendo condições adequadas para trabalhar e salvar vidas, apoiados pelas mais diversas categorias, desde metalúrgicos até professores.




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