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Agronegócio | BNDES empresta R$29 milhões a fazendeiros embargados por desmatamento

Os empréstimos foram feitos a fazendeiros que, além dos embargos por desmatamento de milhares de hectares na Amazônia e no Cerrado, também acumulam milhares de reais em dívidas com o Ibama. Os financiamentos ainda foram destinados às mesmas áreas que foram embargadas.

segunda-feira 14 de fevereiro | Edição do dia

Imagem: Arquivo / Agência Brasil

BNDES concedeu empréstimos a fazendeiros flagrados e embargados pelo Ibama por desmatamento para comprar tratores e outras máquinas agrícolas com dinheiro público. Os financiamentos foram operados pelo banco John Deere, braço financeiro da fabricante de máquinas que o controla.

Juntos, o BNDES e o banco John Deere financiaram ao todo R$28,6 milhões em maquinários para 5 fazendeiros embargados. Uma resolução do Banco Central do Brasil impede a concessão de créditos para propriedades com embargo, mas não para outros terrenos dos donos dessas áreas. Nesse caso, entretanto, há empréstimos destinados às propriedades que foram embargadas.

O valor total do empréstimo concedido pelo BNDES, R$39,7 milhões, seria capaz de quitar a dívida de 11 fazendeiros que fizeram empréstimos e que tem dívida com o Ibama em multas ambientais no valor de R$ 31,4 milhões.

Alguns desses fazendeiros são Alexandra Aparecida Perinoto, que financiou R$11 milhões para a mesma área que possui embargo; Antônio Domingo Debastiani, que financiou quase R$11 milhões para a mesma área embargada pelo Ibama; Antonio Ori Toqueto que financiou R$1 milhão; Milton Casari, que financiou quase R$5 milhões para a mesma área embargada; e Rosalino Gallo, que financiou R$235 mil.

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Alexandra Perinoto recebeu R$4,5 milhões entre 2016 e 2019 para comprar tratores, mas seu imóvel foi embargado em 2021 após o Ibama constatar desmatamento de 1.188,618 hectares da floresta amazônica. Adriana deve R$18 milhões em multas pelo desmatamento, quase o dobro do financiamento que recebeu do BNDES.

Milton Casari possui um embargo em seu nome, mas afirma que foi erro do Ibama e que o desmatamento não foi de responsabilidade sua. A área embargada fica a 1,5 quilômetro de sua fazenda, e ele afirma que ele arrendava sua área para o vizinho para a criação de gado.

Adão Ferreira Sobrinho deve quase R$7 milhões em multas não pagas e possui seis embargos em seu nome, responsável por desmatar 2 mil hectares de vegetação nativa do Cerrado. Ele foi condenado a 2 anos de cadeia, mas em 2020 conseguiu novos empréstimos do BNDES, foi multado mais quatro vezes, somando uma dívida de R$1,7 milhão por derrubar mais 457 hectares de floresta nativa no Cerrado.

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